De Quintino ao Japão, a trajetória do samurai Zico – FILMES, por Rudney Flores

 


Um dos grandes jogadores da história do futebol brasileiro e principal ídolo da maior torcida do país – a do Flamengo –, Artur Antunes Coimbra tem sua história apresentada em Zico – O Samurai de Quintino, documentário do diretor João Wainer que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas do Brasil.

Das peladas no bairro de Quintino com os irmãos, na zona norte do Rio de Janeiro, até a aventura de desbravar o então desconhecido futebol japonês, a trajetória do Galinho, como também é conhecido, é revelada através de um farto registro de imagens em vários suportes, de filmes em super-8 às incríveis imagens do Canal 100, passando também pela memorabilia do próprio jogador.

Wainer procura fugir do documentário tradicional ao não seguir uma cronologia de fatos e investir em uma estrutura não linear para apresentar os principais momentos da história de Zico. O diretor opta também por não se apoiar nos batidos depoimentos de exaltação de amigos e familiares, muito presentes no formato. Além da família, são poucas participações de jogadores mais conhecidos – estão presentes apenas o maestro Júnior e o jogador/técnico Paulo Cesar Carpegiani, companheiros de boa parte da história no Flamengo, além de Ronaldo Fenômeno, que aparecem em descontraídos bate-papos na sala de recordações de Zico.

São relacionados os momentos de alegria do jogador, com os principais títulos do Flamengo – o tricampeonato carioca no final da década 1970, de que deu início a uma geração vitoriosa, os campeonatos brasileiros, a conquista da Taça Libertadores da América e do Mundial de Clubes em 1981 – e as maiores decepções, como as derrotas nas Copas do Mundo que disputou e a grave contusão sofrida em 1985.

A vida familiar também tem muito espaço, tanto na história com os pais e irmãos em Quintino como na pouco conhecida relação com os três filhos. No centro de tudo, está a companheira Sandra, com quem Zico completou bodas de ouro no ano passado.

Mas o que se destaca é aventura no Japão, que tem referência no título do filme. Pouco mais de um ano após se aposentar dos gramados brasileiros, em 1990, Zico aceita jogar na segunda divisão do incipiente futebol do japonês. Era o time da empresa Sumitomo Metals – que depois se transformaria no conhecido Kashima Antlers, ao qual o ex-jogador é até hoje ligado –, que oferecia condições precárias de treinamento. O Galinho tinha até que lavar o próprio uniforme.

O período no país asiático revela muito da personalidade de Zico, reafirmando a determinação, a disciplina e a seriedade que sempre foram marca em sua carreira nos campos e na vida pessoal – características que, além do futebol, fizeram ser admirado por todas as torcidas do país e também no Japão, indo muito além do mítica figura do Flamengo.

Em tempos de ídolo de futebol vazios, muitos deles verdadeiras marcas forjadas em redes sociais, cercados de parças, influencers e aduladores, vale a pena conferir a trajetória de um verdadeiro exemplo de ídolo não só nos gramados como na vida. Cotação: Ótimo.

 

Trailer de Zico – O Samurai de Quintino:

 


 

 

Crédito da foto: Catarina Ribeiro