16ª Bienal de Curitiba destaca abertura de exposições no MuMA e no MAC-PR

 


Neste fim de semana, a programação da 16ª Bienal Internacional de Curitiba – Limiares, destaca a abertura de exposições no Museu Municipal de Arte (MuMA) e no Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR), que atualmente está ocupando uma sala no Museu Oscar Niemeyer. 

No sábado (13) o MuMA recebe uma ocupação inédita com quatro exposições de artistas brasileiros e internacionais que investigam algumas das questões mais urgentes atualmente: a aceleração da vida, as transformações ambientais, a inteligência artificial, os fluxos de dados e as novas formas de habitar o planeta. As mostras gratuitas ocupam simultaneamente diferentes salas e estabelecem diálogos entre arte digital, videoarte, fotografia, instalações e experiências imersivas, reunindo artistas de diversas partes do Brasil e do mundo. 

Uma das exposições é Pequenos Resets, com curadoria de Flávio Carvalho, que parte de uma reflexão sobre a necessidade de criar pausas em uma sociedade marcada pela velocidade e pelo excesso de estímulos. A inspiração nasceu de uma experiência pessoal do próprio curador.

A mostra dialoga com o pensamento do sociólogo alemão Hartmut Rosa sobre aceleração social e ressonância, reunindo artistas do Brasil e do exterior que investigam tanto as consequências quanto as possibilidades desse ritmo contemporâneo. Participam da exposição Perfect L00p, RJ, Estelle Flores, Strangepeo, Marcelo Pinel (foto), Sean McGuirk, 0nastiia, Franco Palioff e Tec Fase.

A proposta curatorial extrapola os limites do museu. As videoartes de Pequenos Resets também poderão ser vistas diariamente nas telas dos ônibus urbanos de Curitiba, a partir do dia 16 de junho, ampliando a experiência artística para o espaço público e transformando o deslocamento cotidiano em uma oportunidade de encontro com a arte contemporânea. Serão 1.040 telas em 600 ônibus de Curitiba e Região Metropolitana e mais 184 telas em quatro terminais da capital.

Também com curadoria de Flávio Carvalho, a exposição Dados Danos Desterro propõe uma reflexão sobre a relação entre humanidade e natureza em um momento de crise climática global. A partir dos trabalhos de Diego de Lara, Vinicius Ferreira, Antonio Wolff e BernardoS, a mostra percorre temas como memória ambiental, saberes ancestrais, devastação ecológica e preservação dos ecossistemas, propondo uma leitura crítica sobre os impactos da ação humana no planeta.

A ocupação internacional do MuMA também ganha força com PÓ (Polvere) – Vestígios de Matéria, Memória e Laços Invisíveis, com curadoria de Chiara Franceschini e Massimo Scaringella. Reunindo Davide Boriani, Julia Bornfeld, Matteo Mezzadri e Alberto Salvetti, a exposição investiga a crescente desmaterialização da experiência contemporânea e as relações entre memória, inteligência artificial, vigilância, dados e tecnologia. A poeira, elemento central da mostra, transforma-se em metáfora dos vestígios que persistem em uma sociedade cada vez mais digitalizada.

Na Sala Poty Lazzarotto, Relações Nômades da Visão, com curadoria de Massimo Scaringella, amplia esse debate ao reunir artistas da América Latina, Europa e Ásia em torno das transformações do olhar na era do big data e das ecologias digitais. A exposição articula instalações, linguagens experimentais e processos participativos para refletir sobre tecnologias, memória, ativismo e novas formas de percepção do mundo contemporâneo. 

Participam, os artistas Oltsen Gripshi, Milot, Karina Chechik, Luciana Abait, Virginia Ryan, Karina Amadori, Coletivo Duas Marias, Ela Soares, Brugnera, Jeremiah Chechik, Lucas Goubert, Shen Cai, Zhang Quan, Wang Shaoqiang, Lai Junjie,  Feng Xiaorui, Yan Yu, Sebastian, Baatarzorig Batjargal e Nomin Bold. Curadores convidados: Lin Shuchuan e Gu Zhenqing.


Camuflagens

Já no domingo (14), o MAC-PR inicia a apresentação de Camuflagens, exposição coletiva internacional com curadoria de Royce W. Smith, decano da Faculdade de Artes da California State University. A mostra seguirá até 15 de novembro.

Em um eixo conceitual complementar ao Limiares, tema central da Bienal, a a mostra propõe uma investigação sobre os limites entre o visível e o invisível, o real e o fabricado, o explícito e aquilo que escapa à percepção. Reunindo artistas de diferentes países e linguagens, a exposição articula pintura, instalação, fotografia, vídeo, inteligência artificial e processos híbridos para discutir estratégias contemporâneas de adaptação, ocultamento e sobrevivência.

“A camuflagem tornou-se um mecanismo de enfrentamento fundamental para as mudanças sociais, culturais, econômicas e tecnológicas, rápidas e inesperadas, e um meio de encontrar estabilidade em um mundo cada vez mais marcado por mudanças e convulsões”, afirma Royce W. Smith no texto curatorial da exposição.

O curador propõe a camuflagem não apenas como recurso visual, mas como metáfora política e existencial. A exposição parte de referências históricas que vão do trompe l’oeil (ilusão de ótica) renascentista aos surrealistas, passando pelas relações entre arte, guerra, natureza e tecnologia, para refletir sobre um presente em que inteligência artificial, vigilância digital, fake news e algoritmos alteram profundamente nossa percepção da realidade. “A verdade e a realidade são, na prática, montagens de inúmeras e infinitas suposições”, escreve Smith ao refletir sobre a cultura contemporânea mediada por imagens e tecnologias.

Entre os destaques da mostra está a participação do artista maranhense Thiago Martins de Melo, cuja produção atravessa pintura, instalação, vídeo e linguagens digitais em investigações ligadas ao sincretismo religioso, colonialismo, espiritualidade e disputas de território. “Eu não separo minha produção da minha vida. Meu trabalho surge justamente das tensões do mundo, da minha luta política e das experiências que atravessam minha existência”, afirma o artista.

Também integra a exposição o artista norte-americano Ricky Allman, cuja pintura combina abstração e figuração em cenários que investigam colapsos ambientais, tensões políticas e futuros distópicos. “Meu trabalho é uma resposta direta aos acontecimentos contemporâneos. O medo diante da crise climática, da ascensão do fascismo e do declínio do capitalismo acaba sendo expresso nas minhas pinturas sobre o futuro”, afirma.

A exposição reúne artistas de diferentes geografias e contextos culturais, entre eles Paulo Nazareth, Regina José Galindo, Marcos Ramírez ERRE, Julia Isidrez e Abel Barroso, consolidando um panorama internacional que atravessa discussões sobre identidade, poder, tecnologia, memória e percepção.


Serviço:

Exposições MuMA – 16ª Bienal Internacional de Curitiba

Museu Municipal de Arte (MuMA) – Portão Cultural (Av. República Argentina, 3.430 – Portão)

Abertura dia 13 de junho (sábado), a partir das 10h.

Visitação: terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Entrada gratuita.


Camuflagens – 16ª Bienal Internacional de Curitiba

MAC Paraná no Museu Oscar Niemeyer – Sala 9 (Rua Mal Hermes, 999 – Centro Cívico)

Abertura dia 14 de junho (domingo).

Até 15 de novembro.

Funcionamento: terça-feira a domingo, das 10h às 18h

Ingressos: https://museuoscarniemeyer.comprenozet.com.br/


Crédito da foto: Divulgação 16ª Bienal Internacional de Curitiba