A 16.ª Bienal Internacional de Curitiba chega à segunda metade de sua programação abrindo cinco novas exposições.
Portal, da fotógrafa e artista visual brasileiro-canadense Simone Guimars, aberta neste domingo (13) na Galeria Phô, espaço da APAP/PR, é uma provocação à própria natureza da fotografia. Tradicionalmente, uma fotografia pressupõe que câmera e objeto fotografado tenham compartilhado, em algum momento, o mesmo espaço.
Em Portal, esse encontro nunca aconteceu. Simone fotografa imagens que chegam até ela por meio de uma tela. É a tela que se torna o lugar possível desse encontro. As obras extraem gestos e fragmentos de imagens em movimento vindas de referências como Metrópolis (1927), os Jogos Olímpicos de 1936 e 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968), transformando-os em novas fotografias.
A pesquisa ganha especial pertinência em uma época na qual parte significativa da experiência humana é mediada por celulares, computadores e televisores. Inspirada pela estética japonesa are-bure-boke – associada ao granulado, ao tremido e ao desfocado –, Simone incorpora ruídos, interferências e distorções como elementos da imagem. A síntese proposta pela artista é quase um paradoxo: “A fotografia é real. O encontro, não.”
Colagem
Nesta segunda-feira (14), às 17 horas, a Bienal ganha Colagem Continuada, na Sala Adalice Araújo, espaço da Secretaria de Estado da Cultura (Seec) que integra as sedes do MAC Paraná.
Com curadoria de Jhon Voese e Mário de Alencar, a exposição reúne 19 artistas e parte da colagem não apenas como técnica, mas como uma maneira de construir relações. Papéis, tecidos, fotografias, pinturas, imagens antigas, restos, rasgos e referências se encontram, mas o próprio processo de organizar uma exposição também é entendido como colagem.
Participam Alexandre Cruz Sesper, Alysson Mazzochin, Ana Camargo, André Bergamin, Annette Skarbek, Arnaldo Baptista, Bia Franzolin, Bomju Coelho, Castrenhos (Gabriel Castro), Dedé Ribeiro, Emerson Persona, Guilherme Lepca, Joana de Lima, Juan Pablo Mapeto, Lucas Fier, Marilene Ropelato, Mário de Alencar, Moira Lacowicz e Yara Osman.
A exposição também aproxima a colagem de uma condição muito contemporânea: vivemos cercados por imagens, textos, referências e memórias continuamente recombinados. Como resume o texto curatorial, “a colagem não para, a colagem só cresce, o de cima esconde o que o de baixo tece”.
Vestir o Olhar
Na quarta-feira (16), o Pátio Batel inaugura a segunda edição da ocupação artística Vestir o Olhar, exposição que coloca arte e moda no mesmo espaço de criação.
Com curadoria de Ana Carolina Ralston, a nova edição reúne Guita Soifer, Janet Vollebregt, Jum Nakao, Labô Young, Nazareth Pacheco, Nino Cais, Nathalie Edenburg e Ronaldo Fraga, além de homenagear Efigênia Rolim (foto), a Rainha do Papel de Bala. Instalações, esculturas, fotografias, objetos, roupas e outras experimentações investigam corpo, matéria, identidade, memória e adorno.
A proposta é justamente borrar uma fronteira histórica: quando uma roupa deixa de ser apenas vestuário? Quando um objeto pensado para o corpo passa a ser escultura? E até onde os procedimentos das artes visuais atravessam a criação de moda?
No Átrio do Pátio Batel, cada artista ocupa uma ilha criativa. A exposição será acompanhada por uma programação de conversas, visitas e oficinas que se estende até 18 de outubro. No primeiro dia de evento, o destaque é o talk Quem É e o que Faz um Diretor Criativo?, com Ronaldo Fraga e Rafael Chaouiche, sob mediação de Mariah Salomão Viana.
A homenagem à Efigênia Rolim reforça ainda outra dimensão do encontro. Ao transformar papéis de bala, embalagens e materiais descartados em figurinos, esculturas e objetos, a artista curitibana fez da roupa, da performance e da reinvenção da matéria elementos inseparáveis de sua produção.
Nexus
Também na quarta, é a vez de Nexus, exposição com curadoria de Marcelo Conrado e Sabine Feres, que reúne artistas associados à APAP/PR de diferentes gerações e linguagens. A mostra ocupa o novo espaço expositivo da cidade, no Palácio 29 de Março, sede da Prefeitura de Curitiba.
O próprio título estabelece a proposta: nexus significa conexão, vínculo, ponto de encontro. Em vez de organizar os artistas por técnicas ou suportes, a curadoria criou quatro núcleos – "Matéria", "Corpo", "Paisagem" e "Abstração" –, aproximando obras por afinidades poéticas. Essas divisões, porém, não são rígidas. Uma escultura pode tratar do corpo; uma fotografia pode caminhar para a abstração; uma pintura abstrata pode guardar vestígios de paisagem.
Em "Matéria", pedra, cerâmica, metal, vidro e concreto participam da construção de sentido da obra. "Corpo" aborda presença, memória, subjetividade, identidade e pertencimento. Em "Paisagem", o território deixa de significar apenas natureza e passa a incorporar cidade, memória e espaços vividos. Já "Abstração" concentra pesquisas em torno da cor, linha, geometria e gesto, incluindo trabalhos que permanecem deliberadamente entre figuração e abstração.
Participam da exposições os atistas: Alfi Vivern, Ana Isis Ribas, Anibal Andraus, Ariane Labre, Aurélio Peluso, Blanca de la Paz, Carla Ruschmann, Carnade, Cê Figueiredo, Claudia Anacleto, Cristina Beltrami, Débora Ling, Denise Raasch, Elizabeth Sekulic, Enzo Labre, Ercy Arias Zendim, Felipe Sekula, Francisco Borges Laranjal, Gianna Calderari, Georgiana Vidal, Giovana Correia, Helenio, Heloisa Vecchio, Ilka Passos, Jean Carlo Moro, Joseli Bezerra, Juliane Fuganti, Julio Lof, Jusbranco, Katia Velo, Krisgraf, Leticia Melara, Ligia Barros, Lizete Zem, Loiri Vecchio, Lucia Biscaia, Luiz Eduardo Hirata, Luiz Gustavo Vidal (Vidal), Marcelo Le, Marcia De Bernardo, Maria Bado, Maria Luiza Kozicki, Marinice Costa, Marli Thomaz, Mônica C. Martins, Moreira, Noemia Fontanela, Osmar Carboni, Regina Oleski, Rosangela Kusma Gasparin, Waltraud Sekula, Wilson Isfer.
Para os curadores, a exposição constitui uma “geopoética de aproximações”. Mais do que reunir técnicas diferentes, propõe maneiras distintas de estabelecer relações com o mundo.
Hachicho
A semana de novas aberturas termina na sexta-feira (18), às 14 horas, no Museu do Expedicionário, com Hachicho: Uma Homenagem aos Expedicionários Brasileiros.
Com curadoria do Coletivo Seme Ar, de Ela Soares e Brugnera, a exposição de pinturas insere no circuito da bienal uma reflexão ligada à memória dos brasileiros que integraram as forças expedicionárias, aproximando arte contemporânea, história e preservação da memória em um espaço particularmente simbólico para essa discussão.
Serviço:
Portal, de Simone Guimars
Galeria Phô – Apap/PR (Rua Jaime Reis, 107, sala 7 – São Francisco)
Até 15 de novembro.
Colagem Continuada
Sala Adalice Araújo – MAC Paraná (Rua Ébano Pereira, 240 – Centro)
Abertura dia 14 de setembro (segunda-feira), às 17 horas.
Visitação: segunda a sexta-feira, das 8h a 12h e das 13h30 às 18h
Entrada gratuita.
2ª Edição Vestir o Olhar
Átrio do Pátio Batel (Av. do Batel, 1.868)
Abertura dia 15 de setembro (terça-feira).
Até 18 de outubro.
Programação: https://patiobatel.com.br/vestiroolhar/
Nexus
Palácio 29 de Março – Prefeitura de Curitiba Av. Cândido de Abreu, 817 - Centro Cívico)
Abertura dia 16 de setembro (quarta-feira), às 16h30.
Hachicho: Uma Homenagem aos Expedicionários Brasileiros
Museu do Expedicionário (Rua Comendador Macedo, 655 – Alto da XV)
Abertura dia 18 de setembro (sexta-feira), às 14h.
Crédito da foto: Rolim Wagner

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