Hugh Grant domina a cena em Herege – FILMES, por Rudney Flores

 


Nome marcante nas comédias românticas dos anos 1990 e início dos 2000 – Quatro Casamentos e um Funeral, Um Lugar Chamado Notting Hill, Um Grande Garoto, Simplesmente Amor –, o inglês Hugh Grant tem diversificado seus papéis no cinema e na televisão nos últimos anos, mostrando novas facetas. O agora sexagenário ator é o grande triunfo do suspense Herege, que chega aos cinemas brasileiros nesta quarta-feira (20).

Dirigido pela dupla Scott Beck e Bryan Woods (criadores do roteiro original e personagens da franquia de sucesso Um Lugar Silencioso), o filme é mais uma produção com o selo A24, badalada produtora responsável por um cardápio variado de ótimos títulos recentes, em diversos estilos, dos terrores A Bruxa e Mindsommar – O Mal Não Espera a Noite aos dramas oscarizáveis A Baleia, Aftersun, O Quarto de Jack e Vidas Passadas, passando ainda pelo inclassificável Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (vencedor de sete Oscars).

A nova história criada pelos roteiristas/diretores se passa em uma pequena cidade norte-americana, e apresenta inicialmente duas missionárias mórmons – irmã Barnes (Sophie Thatcher, da série Yellowjackets) e irmã Paxton (Chloe East, de Os Fabelmans) –que tentam trazer alguns novos integrantes para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Sem muito sucesso em sua peregrinação do dia, elas chegam, perto do entardecer, à casa do Sr. Reed (Grant), que havia solicitado uma visita. O que parece ser uma simples apresentação dos conceitos mórmons se transforma rapidamente em um embate teológico, passando para um suspense com alta carga psicológica.

Como em toda trama do gênero, Reed não é quem diz ser, e vai ser revelando na medida em que envolve as duas moças em jogos mentais, nos quais mostra sua forte descrença nas religiões estabelecidas, utilizando-se até de divertidos exemplos da cultura pop como o famoso jogo Banco Imobiliário ou a banda britânica Radiohead e sua canção “Creep” – são momentos certeiros, que oferecem um certo desafogo cômico. Com a fé questionada, Barnes e Paxton também se veem presas na casa de Reed e percebem que terão grandes dificuldades de sair de lá.

Grant domina produção com uma de suas melhores interpretações em muito tempo, permitindo que seja cotado para premiações do cinema. O charme que o consagrou nos filmes românticos ainda permanece em alguns momentos, mas a persona mais perversa do personagem, que desenvolve com grande habilidade, é que o chama mais atenção do espectador.

Beck e Woods acertam em desenvolver a história com poucos personagens e no ambiente quase restrito da casa de Reed, que se revela mais assustadora a cada sequência. Mas o roteiro inicialmente instigante, característica de muitos projetos da A24, e que destaca temas como religião, sexualidade e principalmente poder, vai se diluindo e perdendo força depois da metade do filme, com os personagens devidamente colocados no tabuleiro da trama, pendendo para um terror mais tradicional com alguns sustos até bem colocados, mas que surpreende pouco. Ainda assim, Herege é acima da média de muitos filmes recentes do gênero terror/suspense que inundam as salas de cinema todas as semanas prometendo muitos sustos. Cotação: Bom.

 

Trailer de Herege:

 


 

Crédito da foto: Divulgação Diamond Films Brasil