Ridley Scott retorna à Roma Antiga com Gladiador 2 – FILMES, por Rudney Flores

 


Filme que confirmou Russel Crowe como grande estrela do cinema, Gladiador ganha uma sequência mais de duas décadas depois de seu lançamento. Com Gladiador 2, principal estreia da semana nos cinemas brasileiros, o diretor Ridley Scott retorna à Roma Antiga para novamente apresentar uma produção épica, recheada de tramas políticas e muitas sequências de ação.

O novo protagonista da história – que acontece 16 anos após fatos mostrados no primeiro filme – é vivido pelo irlandês Paul Mescal, nome em ascensão em Hollywood depois da indicação ao Oscar de melhor ator por Aftersun (2022). Inicialmente, ele é conhecido por Hallo, um dos guerreiros da Numídia, território no norte da África que é invadido e conquistado pelo exército romano comando pelo general Acacius (Pedro Pascal, da série The Last of Us e futuro Reed Richards do primeiro filme do Quarteto Fantástico da Marvel). O militar serve aos gêmeos Geta (Joseph Quinn) e Caracalla (Fred Hechinger), os novos e insanos imperadores de Roma – Acacius ainda tem uma relação com Lucilla (Connie Nielsen), da família real, filha do imperador Marcus Aurelius e irmã de Commodus, morto pelo general/gladiador Maximus (Crowe) no original; ela é única personagem da trama inicial que retorna.

Hallo é capturado e depois vendido como escravo ao ambicioso Macrinus (o premiado Denzel Washington), que logo percebe sua fúria e o coloca para lutar na arena dos gladiadores, no Coliseu de Roma. O jovem guerreiro quer vingar a esposa, também combatente e morta em ação durante a invasão da cidadela africana, e pretende chegar até Acacius para isso. Aos poucos, vai se revelando sua origem real como Lucius, o filho desaparecido de Lucilla e Maximus, e herdeiro do trono de Roma.

Assim como no recente e irregular Napoleão, Scott está pouco ligando em retratar com fidelidade fatos históricos. Alguns personagens e situações retratadas em Gladiador 2 realmente existiram e aconteceram, mas o roteiro de David Scarpa (Napoleão), Peter Craig (Batman, Top Gun – Maverick) e David Franzoni (Gladiador) está mais a serviço do espetáculo desejado pelo cineasta do que com a história real.

Com sua destreza habitual, aos 86 anos, Scott é um dos poucos diretores capazes ainda comandar um filme tão grandioso como Gladiador 2 (ao lado de Steven Spielberg e Martin Scorsese, entre os veteranos; dos cineastas atuais mais novos, os que estão nesse patamar são Christopher Nolan, de Oppenheimer e trilogia Batman, e Denis Villeneuve, responsável pela franquia Duna), recheado de sequências de batalhas brutais, seja no combate corpo a corpo de numerosos exércitos ou nas lutas sanguinárias no Coliseu – na mais impressionante cena, este tem o centro transformado em um mar infestado de tubarões, no qual duas galés de gladiadores se enfrentam para o delírio da audiência romana  algo que nunca aconteceu de verdade na Roma Antiga.

Mas, para além da ação, sobressai-se principalmente a astúcia de Macrinus, que trama para conquistar o poder em Roma, eliminando quem está em seu caminho. Em mais uma grande atuação, como de costume, Denzel domina o filme e a atenção do espectador a cada participação em cena. Apesar de não ter o mesmo carisma de Russel Crowe, Mescal tem boa atuação, marcando definitivamente sua presença na indústria do cinema americano, ainda mais se a produção estourar nas bilheterias – ele defende um personagem idealista, que apoia valores democráticos mesmo sendo da realeza romana, uma das aproximações do roteiro com o cenário político internacional atual, no qual a democracia está em perigo em diversas partes do mudo. Ainda na parte do elenco, vale destaque também para dupla de imperadores, criada para emular o Commodus de Joaquin Phoenix, uma das várias citações e lembranças do original.

Mesmo não tendo impacto semelhante ao primeiro filme, Gladiador 2 é o tipo de produção que resgata o cinema como espetáculo para ser visto na grande tela (na maior possível) e por um grande público, algo que está se escasseando cada vez mais, mas que ainda irá seguir enquanto existirem cineastas como Ridley Scott. Cotação: Bom.

 

Trailer de Gladiador 2:

 


 

Crédito da foto: Paramount Brasil