Wicked traz uma visão diferente do mundo de Oz – FILMES, por Rudney Flores

 


O mundo de Oz retorna ao cinema no musical Wicked, principal estreia da semana nos cinemas brasileiros. Dirigida por Jon M. Chu (do também musical Em um Bairro de Nova York e da comédia Podres de Ricos), a produção recria para as telas o premiado musical homônimo, sucesso da Broadway e no mundo desde o seu lançamento, em 2003 – e que já teve versão brasileira.

Clássico da literatura infantil, O Mágico de Oz, de L. Frank Baum, ganhou uma versão cinematográfica musical em 1939, por Victor Fleming e estrelado por uma jovem Judy Garland, que viveu a menina Dorothy, a qual vai parar em um mundo mágico. Décadas depois, o escritor Gregory Maguire imaginou a história da vilã do livro/filme, a Bruxa Má do Oeste, lançando, em 1995, Wicked – A História Não Contada das Bruxas de Oz, no qual é baseado o musical dos palcos, vencedor de três prêmios Tony (o Oscar do teatro nos Estados Unidos).

A trama inicial do filme – que é a primeira de duas partes previstas – se passa antes da chegada de Dorothy a Oz e fala inicialmente da amizade de Elphaba e Glinda, que se tornarão, respectivamente, a Bruxa Má do Oeste e a Bruxa Boa do Sul. Nascida de uma infidelidade de sua mãe, Elphaba é uma pessoa diferente, de cor verde, e que enfrenta preconceitos desde sempre, a começar em casa, com o pai. Ela tem poderes mágicos que não compreende e não sabe controlar.

Alguns anos mais tarde, já interpretada por Cynthia Erivo (indicada ao Oscar de melhor atriz, em 2020, por Harriet), a moça esverdeada acompanha a irmã Nessarose (Marissa Bode) em sua entrada na Universidade Shiz, a escola de magia de Oz. Após algumas confusões, ela também é aceita no local e vai dividir o quarto com Gelinda (só depois Glinda) – a cantora Ariana Grande –, uma espécie de patricinha fútil e adorada por todos no local. Depois de um período de grande animosidade, a dupla acaba se aproximando para viver uma aventura em Oz, conhecendo o Mágico (Jeff Goldblum, das franquias Jurassic Park), que não é nada do que elas imaginavam.

O texto do roteiro apresenta interessantes paralelos com o mundo atual, principalmente nos Estados Unidos, trazendo os preconceitos exacerbados, a xenofobia, a dificuldade de muitos em lidar com o diferente e a criação de inimigos imaginários (no caso, os animais falantes) como forma de unir um grupo de pessoas (o povo de Oz).

Wicked é um musical no formato clássico, ou seja, com toda a história sendo descrita com muita cantoria e várias sequências de elaboradas danças coreografadas. Para os apreciadores do gênero, o diretor Chu oferece um verdadeiro deslumbre visual, com cenários muito coloridos, sejam reais ou virtuais, que acabam se sobressaindo em algumas cenas marcantes – a principal dela acontece na biblioteca, formada por cenários giratórios.

O elenco ainda traz a oscarizada Michelle Yeoh (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo), que vive a Madame Morrible, professora que percebe os poderes de Elphada, e Jonathan Bailey (da série Bridgerton), que interpreta o quase bad boy Fiyero, que desperta o interesse da dupla protagonista. Mas Wicked é todo de Erivo e Grande, que têm as personagens mais desenvolvidas e se destacam tanto na interpretação como no canto.

O problema são os extensos 2h40 de duração da produção, que podem se tornar bem cansativos para aqueles que não apreciam tanto o gênero ou não conhecem o musical original. E a opção por dividir a história em duas partes faz com que este primeiro capítulo acabe subitamente após um grande acontecimento, deixando para o espectador apenas a tradicional frase “Continua” – poderia haver um final que fechasse melhor a trama inicial. O fato é que será necessário esperar um ano para ver o complemento das aventuras de Elphaba e Glinda, e sua transformação nas bruxas – a segunda parte de Wicked está prevista apenas para novembro de 2025. Cotação: Bom.

 

Trailer de Wicked:

 


 

Crédito da foto: Universal Pictures Brasil