O roteiro, assinado pela
cineasta ao lado de Stephen Blahut, traz uma história ambientada na cidade de
Tóquio, e coloca em destaque um tipo de serviço que pode ser estranho para as
pessoas no Brasil e em outras partes do mundo, mas já é bastante comum para os japoneses
desde os anos 1990: as agências que oferecem atores para interpretarem pessoas
da família ou qualquer outro tipo de personagem – namorados, amigos ou mesmo um
profissional de alguma área –, sempre ajudando em questões mais profundas ou
mesmo servindo de mera diversão. Essa temática já foi abordada pelo diretor Werner
Herzog no filme Uma História de Família (2019).
Fraser é Phillip, um ator que
já vive há sete anos na capital japonesa. De pouco sucesso nos Estados Unidos, ele
foi convidado para fazer um comercial de pasta de dentes (hilário, que lembra
um do mesmo tipo feito pelo personagem Joey Tribbiani em um episódio da adorada
série Friends) e acabou ficando na cidade. Mas sua carreira também nunca
deslanchou no país e ele vive fazendo testes sem grande sucesso.
Mas sua agente o coloca em um
trabalho intrigante: interpretar um americano comum em um funeral. A cerimônia
esquisita, do ponto de vista ocidental, é sua primeira experiência com o
serviço de família de aluguel. Phillip conhece então Shinji (Takehiro Hira, da
série Xógum – A Gloriosa Saga do Japão), seu contratante, que o convida para
fazer parte de sua agência.
Mesmo receoso, ele acaba
aceitando o emprego e vai ter diferentes experiências, sendo as principais como
o ausente pai da menina Mia (Shannon Mahina Gorman), que retorna para ajudá-la
a conquistar uma disputada vaga em um colégio de elite, e também como um repórter
que vai entrevistar o veterano ator Kikuo Hasegawa (Akira Emoto), quase senil e
já distante dos seus dias de glória.
Shinji alerta para que
Phillip não se envolva demais nos trabalhos, mas o ocidental, claro, não vai
conseguir cumprir essa determinação, sendo este o mote central do drama, que se
transforma em uma grande jornada emocional para o protagonista e os personagens
ao seu redor, permeada também por vários momentos cômicos.
Hikari baseia toda a produção
na persona serena de Fraser, com seu tradicional sorriso gentil, criando muitas
situações que são completos clichês, mas que mesmo assim funcionam
perfeitamente, tornando a história muito agradável para variados tipos de audiência.
O oscarizado ator faz
exatamente o que dele se espera, sempre bem apoiado pela ótima trupe de atores coadjuvantes.
Um último destaque de Família de Aluguel é o olhar carinhoso da diretora para
seu país, suas paisagens, culturas e pessoas, trazendo algumas imagens encantadoras.
Cotação: Bom.
Trailer de Família de
Aluguel:
Crédito da foto: Divulgação/20th
Century Studios Brasil

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