Brendan Fraser tem jornada emocional em Família de Aluguel – FILMES, por Rudney Flores

 


 Após o grande retorno na carreira com o Oscar de melhor ator por A Baleia, em 2023, Brendan Fraser segue dando sequência à sua boa fase em Hollywood com Família de Aluguel, produção da diretora japonesa Hikari, que estreia nesta quinta-feira (8) nos cinemas do Brasil.

O roteiro, assinado pela cineasta ao lado de Stephen Blahut, traz uma história ambientada na cidade de Tóquio, e coloca em destaque um tipo de serviço que pode ser estranho para as pessoas no Brasil e em outras partes do mundo, mas já é bastante comum para os japoneses desde os anos 1990: as agências que oferecem atores para interpretarem pessoas da família ou qualquer outro tipo de personagem – namorados, amigos ou mesmo um profissional de alguma área –, sempre ajudando em questões mais profundas ou mesmo servindo de mera diversão. Essa temática já foi abordada pelo diretor Werner Herzog no filme Uma História de Família (2019).

Fraser é Phillip, um ator que já vive há sete anos na capital japonesa. De pouco sucesso nos Estados Unidos, ele foi convidado para fazer um comercial de pasta de dentes (hilário, que lembra um do mesmo tipo feito pelo personagem Joey Tribbiani em um episódio da adorada série Friends) e acabou ficando na cidade. Mas sua carreira também nunca deslanchou no país e ele vive fazendo testes sem grande sucesso.

Mas sua agente o coloca em um trabalho intrigante: interpretar um americano comum em um funeral. A cerimônia esquisita, do ponto de vista ocidental, é sua primeira experiência com o serviço de família de aluguel. Phillip conhece então Shinji (Takehiro Hira, da série Xógum – A Gloriosa Saga do Japão), seu contratante, que o convida para fazer parte de sua agência.

Mesmo receoso, ele acaba aceitando o emprego e vai ter diferentes experiências, sendo as principais como o ausente pai da menina Mia (Shannon Mahina Gorman), que retorna para ajudá-la a conquistar uma disputada vaga em um colégio de elite, e também como um repórter que vai entrevistar o veterano ator Kikuo Hasegawa (Akira Emoto), quase senil e já distante dos seus dias de glória.

Shinji alerta para que Phillip não se envolva demais nos trabalhos, mas o ocidental, claro, não vai conseguir cumprir essa determinação, sendo este o mote central do drama, que se transforma em uma grande jornada emocional para o protagonista e os personagens ao seu redor, permeada também por vários momentos cômicos.

Hikari baseia toda a produção na persona serena de Fraser, com seu tradicional sorriso gentil, criando muitas situações que são completos clichês, mas que mesmo assim funcionam perfeitamente, tornando a história muito agradável para variados tipos de audiência.

O oscarizado ator faz exatamente o que dele se espera, sempre bem apoiado pela ótima trupe de atores coadjuvantes. Um último destaque de Família de Aluguel é o olhar carinhoso da diretora para seu país, suas paisagens, culturas e pessoas, trazendo algumas imagens encantadoras. Cotação: Bom.

 

Trailer de Família de Aluguel:

 


 

 

Crédito da foto: Divulgação/20th Century Studios Brasil