(Des)controle trata de alcoolismo em comédia leve – FILMES, por Rudney Flores

 


Um dos principais problemas de saúde no Brasil e no mundo, o alcoolismo é tema de (Des)controle, filme protagonizado pela atriz Carolina Dieckmmann que estreia nesta quinta-feira (5) nas salas de cinema do Brasil. A produção é comandada pela experiente Rosane Svartmann (Como Ser Solteiro, Desenrola) e por Carol Minêm, diretora de TV estreante na tela grande.

A trama é centrada em Kátia (Dieckmmann, de O Silêncio do Céu), uma escritora de sucesso de livros infanto-juvenis com a personagem Kat. Casada com Zeca (Caco Ciocler, de 2 Coelhos), homem zen e amante da natureza, e mãe dos adolescentes Eduardo (Stéfano Agostini, da série de TV e filmes Detetives do Prédio Azul) e Bernardo (Rafael Fuchs Müller), Kátia vive um momento instável na vida.

O marido clama por sua atenção, querendo reavivar o casamento com uma viagem, mas ela tem como maiores preocupações programar a festa do bar mitzvah do caçula Bernardo, dar atenção aos pais Esther (Irene Ravache, de Os Enforcados) e Levi (Daniel Filho, de Tempos de Paz) e, principalmente, superar uma crise criativa que a impede de terminar o mais recente livro da Kat – sua agente Léo (Júlia Rabello, revelada pelo canal Porta dos Fundos) e a editora estão no seu pé, cobrando a entrega da obra.

A protagonista não bebe há 15 anos, mas decide tomar uma taça de vinho para relaxar dos problemas e talvez se inspirar para o livro. O resultado inicialmente é positivo, ela começa a escrever novamente, mas também acaba trazendo de volta sua persona mais solta, Vânia, que aparece justamente quando está alcoolizada. No dia seguinte a uma bebedeira, Kátia sempre acorda sem lembrar de nada, mas é lembrada de um pouco do que fez por vídeos enviados a ela mesma por Vânia.

O tom do roteiro coescrito por Svartman, Felipe School e Iafa Britz é de uma comédia leve, o que acaba tirando o verdadeiro peso do tema central em vários momentos – mas é uma escolha dos roteiristas e das diretoras. O filme é ambientado em uma edulcorada zona sul carioca (lembrando algumas novelas), onde todo mundo é quase sempre legal ou divertido de alguma forma. Assim, familiares e amigos acabam sendo muito condescendentes com a protagonista, não percebendo seu declínio a cada dia e também não agindo quando os sinais do alcoolismo são cada vez mais claros – nos tempos atuais, pessoas mais atentas tentariam ao menos algum tipo de interferência.

Da mesma forma, as situações difíceis causadas pela bebida nunca levam a danos maiores a Kátia ou a quem está a seu redor – há dois momentos que até poderiam ser extremos, mas Svartmann e Minêm decidem não ir mais além. Então, em algum ponto, a personagem central terá o insight para mudar seu rumo.

Mesmo com esses problemas do filme, Carolina Dieckmmann acaba se destacando na tela, pois consegue equilibrar bem os dois lados de sua personagem em ótima atuação, tanto que a suposta vilã Vânia acaba até sendo agradável e divertida em várias sequências, com sua postura mais libertária, apesar de irresponsável. A atriz está em grande momento no cinema – para o qual deveria ter mais convites – e também teve o trabalho elogiado em Pequenas Criaturas, filme vencedor do Festival do Rio 2025 e que tem estreia prevista para o segundo semestre deste ano. Cotação: Regular.

 

Trailer de (Des)controle:

 


 

 

Crédito da foto: Divulgação Sony Pictures do Brasil