A história de três povos que habitaram o Sul da África entre os séculos 15 e 19 inspiraram a criação de Brace, do aclamado coreógrafo e bailarino moçambicano Edivaldo Ernesto, um dos espetáculos internacionais da Mostra Lucia Camargo da 34ª edição do Festival de Curitiba. A peça faz sua estreia nacional com duas sessões no teatro do Sesc da Esquina: no dia 5 de abril, às 19 horas, e no dia 6 de abril, às 20h30.
Os Mwene Mutapa, os Zulos e o povo Changana ocuparam os territórios dos atuais países Zimbábue, Moçambique e África do Sul, formando sociedades com sistemas políticos, culturais e econômicos complexos, com tecnologias, espiritualidades e formas próprias de organização. Todos têm em comum episódios de resistência contra opressões colonialistas.
Uma das vozes mais potentes da dança contemporânea mundial, Ernesto conta que se inspirou nas trajetórias desses povos para construir uma narrativa que atravessa a memória e sua própria ancestralidade. “No processo de criação, houve o desejo de questionar o olhar externo que frequentemente coloca as pessoas africanas em um lugar de permanente carência. O que me interessa é afirmar que essas sociedades existiram de forma soberana, estruturada e potente”, revela.
Esta é a herança que o personagem em Brace carrega. Por um lado, consciente de sua força, mas também humano e vulnerável, o que não diminui sua potência; ao contrário. O coreógrafo traz o trabalho para o Brasil pela primeira vez. "Ao trazer Brace para o Festival de Curitiba, minha expectativa é criar um diálogo com o público brasileiro, que talvez se reconheça no que faço" afirma. “Vejo na cultura brasileira ecos da herança africana, uma lembrança viva da diáspora e da resistência cultural que conecta nossos povos através do tempo e do movimento. O Brasil, com sua energia e diversidade de ritmos, me lembra algumas das expressões do meu país, e isso me inspira criativamente”, completa.
Nascido em Maputo, capital de Moçambique, e radicado na Alemanha, Edivaldo Ernesto é coreógrafo, intérprete e educador. Com uma trajetória iniciada nas danças tradicionais, é especialista nas técnicas Flying Low e Passing Through, criadas pelo renomado artista venezuelano David Zambrano, com quem atua desde 2010 como assistente e intérprete. Criador dos workshops Depth Movement e Next Level, desenvolveu uma metodologia singular de improvisação e composição de movimento, que leciona há dez anos em diversos países e universidades internacionais.
Em Brace, espetáculo que criou em 2022, corpo, som e espaço estão interligados. “Entendo-os como uma grande orquestra, na qual meu instrumento principal é o corpo e os sons que ele produz, que em composição com a música tornam-se matéria sonora e dramatúrgica”, destaca.
Serviço:
Brace – Mostra Lucia Camargo
Sesc da Esquina (Rua Visc. do Rio Branco, 969 – Mercês)
Dias 5 de abril, às 19h, e 6 de abril, às 20h30.
Classificação indicativa: livre
Duração: 55min
34º Festival de Curitiba
De 30 de março até 12 de abril.
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (ao lado da entrada da Rua Mateus Leme; segunda-feira a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 14h às 20h).
Valores:
Mostra Lucia Camargo – a partir de R$ 42,50 + taxas
Risorama – a partir de R$ 42,50 + taxas
Fringe – de gratuitos até R$ 75 + taxas
Mostra Surda de Teatro – gratuita
MishMash – a partir de R$ 30 + taxas
Programa Guritiba – de gratuitos até R$ 60 + taxas
Gastronomix – a partir de R$ 10 + taxas
*Estudantes de teatro e artistas profissionais contam com ingressos promocionais de R$ 40 e R$ 20, somente na bilheteria física. Verifique as condições especiais para colaboradores de empresas apoiadoras e clubes de descontos.
Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo.
Confira também todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras.
Crédito da foto: Albert Vidal

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