Nesta sexta-feira (13), às 20 horas, o Teatro José Maria Santos recebe a estreia nacional da peça Conto de Farida. Com dramaturgia de Luci Collin e direção de Eduardo Ramos, o espetáculo aborda os impactos da guerra e do exílio a partir da história de uma família, marcando o retorno de Luís Melo aos palcos paranaenses em uma narrativa sensível sobre as tantas diásporas existentes na atualidade.
As apresentações seguem nos dias 14, 15, 18, 19, 20, 21, 22, 24, 25 e 26 de março – terça a sexta-feira, sempre às 20 horas; sábados, às 17 e às 20 horas; e domingos, às 11 e às 16 horas –, incluindo sessões com acessibilidade com Libras, nos dias 14 e 21 de março, e com audiodescrição, no dia 20, todas sempre às 20 horas. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos uma horas antes das sessões.
Realizado pela AP da 13 com produção da Cardume Cultural, a montagem transforma em cena uma realidade contemporânea urgente: a trajetória da família Farah ecoa a experiência de milhões de pessoas forçadas a deixar seus territórios em contextos de conflito e perseguição.
De acordo com Ramos, a obra acompanha uma família síria dilacerada pela guerra, confrontada com escolhas extremas entre partir ou permanecer, preservar a memória ou buscar um futuro possível. “Entre silêncios, despedidas e gestos de resistência, a cena se constrói como espaço de escuta e testemunho, encontrando lugares possíveis de existir, em um cenário onde a humanidade deixou de existir", destaca.
A encenação tem como referência visual a exposição Farida – Um Conto Sírio, do fotógrafo brasileiro Maurício Lima, vencedor do Prêmio Pulitzer em 2016, que acompanhou por 51 dias a fuga de uma família de Alepo. Essa experiência se articula aos relatos reais dos artistas sírios Abed Tokmaji, Myria Tokmaji e Lucia Loxca, radicados no Brasil há 12 anos, que contribuem diretamente para a dramaturgia a partir da vivência do exílio.
No palco, a história da família Farah revela o dilema de quem vê a guerra bater à porta: o conflito entre o apego às raízes e a urgência da sobrevivência em terras desconhecidas. Luís Melo interpreta Khaled Farah, o patriarca, acompanhado por Mayra Fernandes (a filha Aisha), Ciliane Vendruscolo (a filha Qamar) e Camila Ferrão (a sobrinha/prima Jamile), que dão voz às diferentes perspectivas de uma família fragmentada pelo avanço do conflito.
A atmosfera de urgência e tensão é reforçada pela cenografia de Fernando Marés, com tons acinzentados e planos irregulares que evocam tanto os escombros da guerra quanto o caminho incerto da travessia, enquanto o desenho de luz de Beto Bruel e Lucas Amado dialoga com a trilha sonora executada ao vivo sob a direção de Edith de Camargo, com a participação direta dos músicos sírios, Abed Tokmaji e Lucia Loxca, com alaúde, cantos e sonoridades tradicionais, transportando o público para o epicentro da narrativa.
O diretor revela que Melo começou a estreitar os laços com o AP da 13 durante a pandemia e, desde então, passou a acompanhar de perto os trabalhos do grupo. “Tivemos um contato no Campo das Artes em um projeto viabilizado por um edital de São Paulo. Essa experiência aproximou nossas trajetórias e fortaleceu a parceria. A partir daí, seguimos em diálogo, com Melo acompanhando as produções do grupo, até que surgiu o convite para que ele participasse como curador do festival Novos Olhares em 2025", confirma.
Para o ator, voltar para uma produção curitibana unindo história, música e memória humana é profundamente emocionante. “Gosto de trabalhar com grupos dedicados, que desenvolvem processos contínuos com cuidado e comprometimento. É esse empenho que torna o retorno ao palco uma experiência feliz, responsável e memorável. É um trabalho que acredito que, daqui a muitos anos, será lembrado, pois valoriza a pesquisa, a qualidade e a autenticidade do coletivo”, afirma.
Dentro do projeto está também a oficina gratuita de dramaturgia depoimental intitulada Corpo em Guerra: Possíveis Caminhos para além do Êxodo, ministrada pelo diretor Eduardo Ramos. A fase de inscrições vai ser divulgada no Instagram @apedatreze.
Serviço:
Conto de Farida
Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655 – São Francisco)
Dias 13, 14, 15, 18, 19, 20, 21, 22, 24, 25 e 26 de março – terça a sexta-feira, sempre às 20h; sábado, às 17h e às 20h; domingo, às 11h e às 16h; sessões com Libras nos dias 14 e 21 de março, sempre às 20h; sessão com audiodescrição no dia 20 de março, às 20h.
Classificação indicativa: 14 anos
Entrada gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes das sessões na bilheteria do teatro.
Crédito da foto: Vitor Dias/CCTG

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