A Caixa Cultural Curitiba recebe, nesta sexta-feira (6) e sábado (7), sempre às 20 horas, e no domingo (8), às 19 horas, o monólogo Não Me Chame de Mãe, espetáculo que aborda com sensibilidade e humor crítico a exaustão materna. A entrada é gratuita, com ingressos retirados no local.
Como ação especial, haverá ainda um espaço brincante na sessão de domingo, pensado para cuidar das crianças enquanto as mães assistem ao espetáculo – deverá ser feita uma inscrição prévia para o espaço e as vagas são limitadas. A iniciativa é realizada em parceria com o Sina Ateliê, coordenado por Audren Lins, com oficinas artísticas e culturais de circo, artesanato, confecção de brinquedos e adereços, jogos de presença e brincadeiras. As atividades serão conduzidas por Mariana Ayala e Romã Rettamozo.
Na trama da peça, a atriz Carolina Damião interpreta Elisa, uma mãe-solo que conquista uma rara hora livre quando o genitor de sua filha cumpre, pela primeira vez, o horário estabelecido de convivência com a criança. Diante dessa pausa inesperada, ela se vê frente à possibilidade de escolher o que fazer com o próprio tempo — resolver pendências acumuladas ao longo dos anos ou, simplesmente, descansar.
Não Me Chame de Mãe provoca e desperta riso sem romantizar a maternidade. A obra dialoga diretamente com mulheres que reconhecem, em Elisa, diferentes camadas de suas próprias vivências – inclusive aquelas que não são mães. Essa identificação ganha força em um dos momentos mais marcantes da encenação, quando a personagem lança a pergunta: “Você já viu sua mãe descansando?”.
A dramaturgia nasceu de um processo de escuta ampliada. O espetáculo foi desenvolvido ao longo de dois anos por Carolina e pela diretora Luciana Navarro, ambas mães-solo que, no período pós-pandemia, buscaram transformar em linguagem cênica experiências pessoais e coletivas que atravessavam seus cotidianos.
“A gente queria se ver. E se ver no palco seria uma rebeldia, porque ninguém estava nos pedindo isso. Era o nosso próprio impulso poético de escrever nossas dores e nossos desejos. Queríamos romper esse isolamento. Transformamos o nosso silêncio acumulado em grito e acolhimento”, afirma Luciana. “Tivemos que criar esse caminho juntas e sozinhas”, completa.
"Eu estava fora do mercado de trabalho, por fora do teatro, dos editais, de tudo, completamente imersa na pandemia e no puerpério, sozinha cuidando de uma criança muito pequena. Foi quando a Luciana me disse que eu precisava voltar para os palcos, que o meu trabalho na internet deveria se estender para o teatro, e a gente começou a compartilhar nossas histórias maternas e a criar o Não me chame de mãe", revela Carolina. "Dos textos que eu escrevi, o que mais explicita esse meu processo de vida naquele momento da criação é a ‘História para Dormir’, que é um poema, no qual a personagem termina dizendo: ‘e viveram invisíveis para sempre’, porque era justamente desse lugar que eu estava querendo sair”, continua.
Segundo a atriz e a diretora, Elisa é uma personagem ficcional inserida nesse contexto de solidão e sobrecarga, mas que carrega múltiplas vozes, reforçando a ideia de que essas mulheres não estão sozinhas. O espetáculo se constrói como espaço de identificação, acolhimento e partilha. Após cada apresentação, o público é convidado a permanecer para uma roda de conversa com a atriz.
O projeto foi aprovado no edital de Circulação Paraná da Secretaria de Estado da Cultura (Seec)/Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura/Governo Federal.
Serviço:
Não Me Chame de Mãe (monólogo + roda de conversa)
Caixa Cultural Curitiba (Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Centro)
De 6 e 8 de março; sexta-feira e sábado, sempre às 20h; domingo, às 19h – sessão com Libras.
Inscrições espaço brincante (vagas limitadas): https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd0Le_STIwI2-z9u3OLFXojsyubi75aRoIBQ4kKBrR0tPhlkg/viewform
Classificação indicativa: 18 anos
Entrada gratuita, com retirada de ingressos no local.
Crédito da foto: Polly Polsaque

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