Pixar faz defesa da natureza em Cara de Um, Focinho do Outro – FILMES, por Rudney Flores

 


 Sinônimo de animação de qualidade desde 1995, com o lançamento do primeiro Toy Story, a Pixar, hoje uma empresa da Disney, decepcionou em seus dois últimos lançamentos, os pouco inspirados Elementos e Elio. Mas o estúdio responsável por grandes trabalhos do gênero – as franquias Toy Story, Monstros S/A, Os Incríveis e Divertidamente, além de Procurando Nemo, Wall-E, Ratatouille, entre vários outros títulos – volta à boa forma com Cara de Um, Focinho do Outro, uma das estreias da semana nos cinemas brasileiros.

A produção é comandada por Daniel Chong, estreantes em longas-metragens de animação, e também responsável pelo roteiro ao lado de Jesse Andrews. A história, centrada na defesa da ecologia, tem como personagem central a menina Mabel Tanaka, que desde pequena busca proteger os animais, mesmo que para isso irrite os adultos. Ela encontra uma parceira em sua vovó Tanaka, com quem divide um local especial para apreciar a natureza, chamada Barra do Castor, com diversos bichos convivendo em harmonia.

Já uma jovem cheia de atitude, e após a morte da simpática vozinha, Mabel segue em sua jornada de defesa dos animais, desta vez enfrentando Jerry, o carismático prefeito de sua cidade, que pretende acabar com seu local preferido para avançar na construção de uma grande obra viária. Os animais que outrora habitavam o espaço sumiram e ela precisa fazer com que voltem a ocupar a barra para impedir sua destruição.

Nesse momento, entra em cena a parte criativa e inventiva que andava meio sumida nas recentes produções da Pixar. Um dia, ao seguir um castor supostamente sequestrado, Mabel descobre que uma professora da universidade onde estuda criou uma tecnologia que permite transportar a mente das pessoas para robôs em formato de animais, permitindo a comunicação com eles.

A jovem não perde tempo em se ocupar de uma dessas máquinas, na forma de um castor, e vai atrás dos animais para tentar convencê-los a voltar a habitar a barra. Já vivendo entre os bichos, ela conhece o divertido e meio atrapalhado George, um castor zen que herdou do pai o posto de rei dos mamíferos do local. Ele explica as regras de convivência daquela comunidade e apresenta os outros reis e rainhas dos demais animais – das aves, dos peixes e dos anfíbios.

Chong e Andrews destacam então uma história cheia de surpresas e reviravoltas, e até alguns toques de terror, com trocas de corpos entre animais e pessoas também, além de muitos momentos para o espectador se divertir, rir e se emocionar. A dupla decide não pegar tão pesado com o político Jerry, que se descobre não ser tão antagonista e que acaba sendo superado na vilania por outro personagem. A mensagem positiva em favor da natureza e pela união de todos acaba prevalecendo. No final, Cara de Um Focinho de Outro se apesenta um desenho acessível para o público de todas as idades, agradando e divertindo a todos.

A produção original tem a dublagem de nomes conhecidos como Meryl Streep (de O Diabo Veste Prado 2, que estreia este ano), John Hamm (da série Mad Men) e Dave Franco (da franquia Truque de Mestre), mas só serão lançadas cópias dubladas em Curitiba. Nada que atrapalhe a diversão, pois os sempre competentes profissionais brasileiros da dublagem dão conta muito bem do trabalho, dessa vez com a participação especial da atriz Renata Sorrah, estreando como dubladora interpretando a Rainha dos Insetos. O desenho tem duas cenas pós-créditos. Cotação: Bom.

 

Trailer de Cara de Um, Focinho de Outro:

 


 

 

Crédito da foto: Walt Disney Studios BR