Seguindo uma tradição em Hollywood, a atriz Kristen Stewart (Spencer) também decidiu passar para atrás das câmeras e estreia como diretora de longas-metragens com A Cronologia da Água, filme selecionado para a mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2025 e que chega aos cinemas brasileiros nesta semana. A produção é baseada no homônimo livro de memórias – ainda não lançado no Brasil – da nadadora e escritora norte-americana Lidia Yuknavitch, vivida na tela grande na maior parte do tempo pela atriz Imogen Poots (Meu Pai).
Nascida em 1963, Lidia vive
em uma conturbada família, com um pai (Michael Epp) opressor e abusador sexual
e uma mãe ausente (Susannah Flood). A irmã mais velha Claudia (interpretada na
fase adulta por Thora Birch, de Beleza Americana) logo abandona a casa,
deixando Lidia à mercê do casal. A menina encontra uma escapatória para os
problemas primeiro na natação e mais tarde na escrita, atuando também como
professora. Mas sua vida será sempre marcada pelas pesadas relações familiares
da infância e adolescência, envolvendo-se também com álcool e drogas, além de
alguns tumultuados relacionamentos amorosos e da perda de uma filha logo no
nascimento.
Kristen ousa bastante nesse
primeiro trabalho como cineasta, investindo em uma experiência estética na
construção do filme, que foi realizado em película 16mm. Apesar de seguir uma certa
ordem cronológica dos acontecimentos, a história é construída em uma sequência
intrincada de imagens, com predominância de close-ups da protagonista e
seguindo o fluxo tortuoso de seus pensamentos e memórias, como que para
representar o vai e vem das ondas no mar, referência ao título da obra principal
de Yuknavitch – em alguns momentos, também
lembra o cinema do cultuado diretor Terrence Malick (A Árvore da Vida).
No campo da atuação, Imogen
tem uma entrega completa no grande papel de sua carreira até aqui, dando conta
de todas as nuances e mudanças da personagem – mas causa um certo estranhamento
a opção da diretora de não envelhecer a atriz visualmente na passagem do tempo para
Lidia, com Imogen interpretando-a com a mesma fisionomia da adolescência até
passar dos 40 anos.
Outros destaques são o
veterano Jim Belushi (Roda Gigante), que quebra o ritmo soturno e pesado da
trama como o divertido escritor Ken Kesey, autor do livro Um Estranho no Ninho
e muito importante para a entrada de Lidia na literatura; e Michael Epp como o
duro e violento pai da protagonista.
O filme pode ser considerado
árido e difícil para o espectador mais tradicional de cinema, com a diretora
exagerando um pouco nos maneirismos estéticos, que em certos momentos incomodam
além da conta. Mas Kristen Stewart apresenta um trabalho instigante e promissor,
criando boas expectativas para a sequência na carreira como cineasta. Cotação: Bom.
Trailer de A Cronologia da
Água:
Crédito da foto: Divulgação
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