Neste sábado (11), a partir das 17 horas, o Janaíno Vegan, no Largo da Ordem, recebe o Festival Sem Assédio, que vai reunir as DJ’s GG Queen e Yohrani e as bandas Capetassauras, Demolidoras, Domperidhona, Fancharia, Lia Kapp, Madame Crüe (foto) e Mordazes Musgos. Os ingressos custam R$ 20 e estão à venda na plataforma Pixta.me. Há uma lista trans com ingressos a R$ 10, além de entrada gratuita para pessoas com deficiência e meia-entrada para acompanhante. Pessoas elegíveis a essas categorias devem entrar em contato por meio do perfil do Instagram do festival para adquirir seus ingressos.
O evento, criado por um grupo de mulheres e dissidências de gênero, une música e conscientização sobre o combate ao assédio que muitas delasa sofrem na cena independente da cidade. A ideia partiu após várias denúncias de artistas que passaram por situações de assédio sexual, psicológico e financeiro.
“Quando fui importunada sexualmente e assediada por um produtor de Curitiba, decidi unir minhas forças com a de outras pessoas que vinham passando por situações semelhantes para literalmente 'armar um barraco', um festival com foco na conscientização sobre o respeito no rolê. O Festival Sem Assédio é a resposta de muitos artistas preocupados com a falta de respeito generalizada e misoginia em diversos espaços na noite curitibana, não somente na cena underground”, comenta Duda, uma das idealizadoras do festival.
Desde a década de 1990, mulheres e pessoas LGBTQIA+ lutam para terem espaço, respeito e reconhecimento na cena curitibana. O cenário ainda é desfavorável, pois além de enfrentarem situações de assédios, bandas com formações de mulheres e dissidências tem pouca visibilidade na cena underground. “Na minha pesquisa de mestrado, conversei com três musicistas que ainda estão na ativa na cena musical da cidade, escutei relatos sobre assédio e diversos tipos de violências que elas enfrentavam lá na década de 1990. O que assusta é que estamos em 2026 e as artistas ainda estão passando pelas mesmas situações que já deveriam ter sido superadas”, relata Carol Cardoso, pesquisadora da cena underground curitibana.
Dentre as pautas atuais levantadas pelas idealizadoras, temas como sexualização dos corpos das mulheres em cartazes de shows, falta de convites para que as bandas formadas por mulheres e dissidências sejam headliners e não somente bandas de abertura em eventos, cachês desiguais e desconhecimento da existência de grupos com mulheres e dissidências na formação, são expostas.
Durante o evento, conversas sobre as consequências para as mulheres, dissidências e para a cena musical em geral resultante do assédio serão debatidas com os participantes. Além disso, será distribuído um fanzine com textos informativos sobre formas de prevenção ao assédio e um manifesto contra a misoginia e o machismo que se perpetua na cena underground.
O festival também contará com expositores de marcas e artes de produções independentes. O evento tem apoio do Ateliê Hopfer, Centro + Cidadania LGBTQIA+ Heliana Hemetério, CODEX, CM Geléias, Clube Garagem, Guli Estúdio, Lado B, Mofo Novo, Mutante Radio, Rec N Roll Studio, Rock Camp Curitiba e Riot Grrrande do Sul.
Serviço:
Festival Sem Assédio
Janaíno Vegan Largo da Ordem (Rua Dr. Claudino dos Santos, 116 – Largo da Ordem)
Dia 11 de julho (sábado), a partir das 17h.
Entrada: R$ 20, à venda em https://pixta.me/sofia-nyx/festival-sem-assedio
Lista trans e pessoas com deficiência: entrar em contato pelo Instagram @festivalsemassedio
Crédito da foto: Divulgação

Redes Sociais