Premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2024, na categoria show do ano, a banda goiana de rock psicodélico Boogarins celebra o aniversário de dez anos do álbum Manual, ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos com uma turnê nacional que passa por Curitiba neste sábado (24), no Basement Cultural. A produção é uma colaboração da Urban Jungle, Todt & Lado C. Os ingressos estão à venda pela plataforma Meaple.
Indicado ao Grammy Latino na categoria melhor álbum de rock em língua portuguesa, o segundo disco de estúdio da Boogarins foi o responsável por confirmar ao público e à crítica que a banda era mais do que uma promessa, consolidando-a como uma das mais importantes da sua geração.
Gravado na cidade praiana de Gíjon, no norte da Espanha, o disco foi feito em uma pausa de um mês no meio da primeira turnê internacional do grupo. Entre cem shows nos Estados Unidos, Europa e Brasil, os músicos ainda acostumaram-se à rotina de viagens, aos grandes festivais e à saudade de casa. Se antes gravavam no quarto, registraram o repertório que nascia na estrada em um estúdio totalmente analógico. O registro capturou a energia de quatro jovens vivendo o sonho de viajar o mundo e viver de música, ao mesmo tempo em que desenvolve uma nova linguagem de rock psicodélico.
A ressaca psicodélica que atravessa a estética, a música e a cultura do século 21 ganha, com Boogarins, a rara ótica de um Brasil interiorano. Goiânia, uma espécie de centro fora do eixo da música alternativa na época, pulsava com festivais independentes repletos de artistas de todo país. A experiência em casa torna-se fundamento maior para a nova possibilidade de rock brasileiro criada pela banda, que bebe das influências mais clássicas dos tropicalistas, mineiros e nordestinos dos anos 1970, mas que essencialmente se assume contemporânea. Cria-se uma colagem de referências que transborda nos ritmos, na lírica e na sonoridade e que, ao vivo, brinca com formato das canções em improvisos e temas instrumentais irregulares.
A história do disco e das canções cresceu muito com os shows. Apesar da maior parte das baterias no disco terem sido gravadas pelo primeiro baterista, Hans Castro, é com a entrada de Ynaiã Benthroldo que Boogarins encontra sua sonoridade ao vivo. O show cresce, torna-se progressivamente mais alto e explosivo, com improvisos e versões únicas. Um bom exemplo disso, e um favorito dos fãs, é a primeira apresentação da banda na consagrada rádio americana KEXP, na qual canções como “Falsa Folha de Rosto”, “Cuerdo”, “Tempo” e “Auchma” ganham suas versões definitivas.
Versões que são as protagonistas do show, no qual a banda toca o disco na íntegra, mas também traz de volta arranjos e improvisos das clássicas versões ao vivo. A ideia é ir além da nostalgia ou do saudosismo recente, mas construir um novo momento em que, ao exercitar o retorno ao passado com a cabeça dos dias de hoje, o grupo consiga dividir as emoções, as histórias e a importância dessas músicas com o público que os conhece desde o começo e também com os fãs mais recentes. “Não é um show apenas para despertar lembranças, mas para criar novas memórias”, diz o grupo.
Serviço:
Boogarins – 10 Anos de Manual
Basement Cultural (Rua Des. Benvindo Valente, 260 – São Francisco)
Dia 24 de outubro (sábado), às 22h.
Ingressos: a partir de R$ 120, à venda em https://meaple.com.br/todt-ladoc/boogarins-em-curitiba
Classificação indicativa: 18 anos (menores de 18 anos acompanhados por responsável legal ou com termo assinado e reconhecido em cartório)
Crédito da foto: Julia Brittes
