Inexplicável apresenta história real de superação – FILMES, por Rudney Flores


 

Nos últimos anos, têm chegado ao cinema muitas produções de caráter mais religioso, apresentando casos de fé e milagres, principalmente no final da temporada, época de natal. São geralmente filmes norte-americanos, alguns com atores conhecidos, o que garante um melhor retorno do público. E a produção nacional também entra nesse nicho este ano com Inexplicável, do diretor Fabrício Bittar (Como se Tornar o Pior Aluno da Escola, série Bugados), uma das estreias da semana nas salas do país.

O filme traz a história real da família carioca Varandas, e tem como base o livro O Menino que Queria Jogar Futebol, de Phelipe Caldas. Há alguns anos, o casal Yanna (Letícia Spiller) e Marcus (Eriberto Leão) vê seu filho mais velho Gabriel (Miguel Venerabile), de 8 anos, reclamar de algumas dores de cabeça. A situação fica preocupante quando o menino passa mal e desmaia durante um torneio de futsal. Os pais pensam que o problema da cabeça seria de origem oftalmológica, mas exames acabam descobrindo um grave tumor no cérebro da criança. Gabriel é operado de emergência, o que se revela apenas o início de uma dura trajetória familiar.

A questão religiosa é apresentada através de Yanna, muito católica, sempre com seu terço e promessas que terminam em dedos em forma de cruz nas conversas com as crianças. Marcus é o contraponto, buscando a todo momento se afastar de qualquer manifestação mais ligada à religião, como as orações que os parentes da esposa começam a organizar em favor de Gabriel.

Como todo o filme do gênero, o fator fé cresce à medida dos crescentes sofrimentos pelos quais passam os Varandas. Mas, apesar das intenções religiosas claras, o filme não deixa de lado a importância da medicina, representada pelo médico Christian (André Ramiro, dos filmes Tropa de Elite), que busca todos os meios para salvar Gabriel, assim como o fisioterapeuta Neto (Victor Lamoglia, de Eduardo e Mônica), que também não desiste da criança.

E também como em várias produções religiosas, Bittar carrega bem na emoção, com várias sequências que devem levar às lágrimas a audiência – em certos momentos, a trama fica angustiante. A trilha sonora melosa, toda internacional, contribui para isso, mas o diretor poderia ter optado por canções nacionais, talvez até encomendando algo inédito a algum compositor brasileiro.

O destaque maior de Inexplicável são mesmo as atuações de todo o elenco, principalmente de Eriberto Leão e André Ramiro, além do menino Miguel Venerabile – é muito bom constatar que os filmes nacionais mais recentes, como os da franquia Turma da Mônica, têm descoberto bons talentos infantis em seus trabalhos de casting, o que sempre foi uma deficiência em décadas anteriores. Cotação: Bom.

 

Trailer de Inexplicável:

 


 

Crédito da foto: Divulgação Clube Filmes