O filme recebeu duas
indicações ao Oscar, melhor ator coadjuvante para Kieran Culkin e melhor
roteiro original para o próprio Eisenberg, sua segunda indicação à estatueta
dourada – concorreu ao prêmio de melhor ator por A Rede Social, no qual
interpretou Mark Zuckerberg, o criador do Facebook.
A história de A Verdadeira
Dor remete à origem judaica do ator/diretor/roteirista. Ele interpreta David,
que aceita viajar com o primo Benji (Culkin) para a Polônia, realizando um
desejo da avó judia – uma sobrevivente do nazismo –, de conhecer a terra natal
dela e o local onde morou.
De perfis completamente
opostos, a dupla encara uma excursão por alguns locais do país europeu ao lado
de um guia e outros personagens judeus. David é casado, com uma filha pequena,
sendo bem estabelecido na vida, com um bom emprego. Introspectivo e fechado,
com certas neuroses, ele não gosta de demonstrar suas emoções, uma persona que
replica alguns papéis que Eisenberg já interpretou na carreira. Já o
solitário Benji é expansivo ao extremo, desconcertante em vários momentos com
seus “ataques” de sinceridade, alguém sempre a chamar a atenção de quem está à
sua volta, para o bem e para o mal.
O bom roteiro segue na
dinâmica das diferenças entre os primos, que foram muito unidos quando jovens,
mas que acabaram se separando na fase adulta da vida. Em tom agridoce, comédia
e drama vão sendo alternados à medida em que os dois protagonistas são
desenvolvidos na história.
Ao lado dos demais
personagens, Benji e David conhecem monumentos e locais importantes da Polônia
relacionados à Segunda Guerra Mundial, sendo o principal um real campo de
concentração nazista, talvez o momento mais significativo do filme, uma sequência
realizada de maneira muito austera pelo diretor e que emociona e causa reflexão
no espectador em tempos em que o nazismo e o fascismo voltam a atrair muitas
pessoas em várias partes do mundo. Com David e Benjij, Eisenberg também traz
uma boa representação das dificuldades e dúvidas pelas quais passa a geração
que hoje está na casa dos 30 e poucos anos.
Mas o foco de A Verdadeira
Dor é realmente Benji, um presente de Eisenberg para o irmão mais talentoso da
família Culkin se destacar (alguém ainda lembra de Macaulay a não ser no
período de Natal com as reprises dos filmes Esqueceram de Mim?). E ele brilha e
muito com uma interpretação que confirma todo o seu talento. Nas últimas duas
décadas, Kieran construiu uma carreira muito sólida, seja em filmes como A Estranha
Família de Igby ou Scott Pilgrim Contra o Mundo, ou na elogiada série Succession,
pela qual recebeu um Emmy e um Globo de Ouro.
Ele também venceu o Globo de
Ouro de melhor ator coadjuvante neste ano por A Verdadeira Dor e foi indicado na mesma
categoria no SAG Awards, premiação do sindicato de atores dos Estados Unidos,
verdadeira prévia do Oscar – nos últimos 20 anos, só em quatro oportunidades o
vencedor do SAG de melhor ator coadjuvante não levou também o Oscar. Kieran tem
sérios concorrentes em uma categoria que está muito forte este ano, com ótimas
atuações como a sua.
Retornando a Eisenberg, ele
conduz A Verdadeira Dor de forma segura, marcando uma evolução no seu trabalho
como diretor, criando boas expectativas para a sequência de sua carreira do
outro lado das câmeras. Cotação: Bom.
Trailer de A Verdadeira Dor:
Crédito da foto: 20th Century
Studios Brasil

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