Kieran Culkin brilha em A Verdadeira Dor – FILMES, por Rudney Flores

 


 Como acontece como muitos atores, Jesse Eisenberg foi mais um a encarar o desafio de passar para atrás das câmeras e comandar um filme. Há três anos, ele estreou na direção de longas-metragens com Quando Você Terminar de Salvar o Mundo e, ano passado, apresentou A Verdadeira Dor, seu segundo trabalho como cineasta, produção que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros.

O filme recebeu duas indicações ao Oscar, melhor ator coadjuvante para Kieran Culkin e melhor roteiro original para o próprio Eisenberg, sua segunda indicação à estatueta dourada – concorreu ao prêmio de melhor ator por A Rede Social, no qual interpretou Mark Zuckerberg, o criador do Facebook.

A história de A Verdadeira Dor remete à origem judaica do ator/diretor/roteirista. Ele interpreta David, que aceita viajar com o primo Benji (Culkin) para a Polônia, realizando um desejo da avó judia – uma sobrevivente do nazismo –, de conhecer a terra natal dela e o local onde morou.

De perfis completamente opostos, a dupla encara uma excursão por alguns locais do país europeu ao lado de um guia e outros personagens judeus. David é casado, com uma filha pequena, sendo bem estabelecido na vida, com um bom emprego. Introspectivo e fechado, com certas neuroses, ele não gosta de demonstrar suas emoções, uma persona que replica alguns papéis que Eisenberg já interpretou na carreira. Já o solitário Benji é expansivo ao extremo, desconcertante em vários momentos com seus “ataques” de sinceridade, alguém sempre a chamar a atenção de quem está à sua volta, para o bem e para o mal.

O bom roteiro segue na dinâmica das diferenças entre os primos, que foram muito unidos quando jovens, mas que acabaram se separando na fase adulta da vida. Em tom agridoce, comédia e drama vão sendo alternados à medida em que os dois protagonistas são desenvolvidos na história.

Ao lado dos demais personagens, Benji e David conhecem monumentos e locais importantes da Polônia relacionados à Segunda Guerra Mundial, sendo o principal um real campo de concentração nazista, talvez o momento mais significativo do filme, uma sequência realizada de maneira muito austera pelo diretor e que emociona e causa reflexão no espectador em tempos em que o nazismo e o fascismo voltam a atrair muitas pessoas em várias partes do mundo. Com David e Benjij, Eisenberg também traz uma boa representação das dificuldades e dúvidas pelas quais passa a geração que hoje está na casa dos 30 e poucos anos.

Mas o foco de A Verdadeira Dor é realmente Benji, um presente de Eisenberg para o irmão mais talentoso da família Culkin se destacar (alguém ainda lembra de Macaulay a não ser no período de Natal com as reprises dos filmes Esqueceram de Mim?). E ele brilha e muito com uma interpretação que confirma todo o seu talento. Nas últimas duas décadas, Kieran construiu uma carreira muito sólida, seja em filmes como A Estranha Família de Igby ou Scott Pilgrim Contra o Mundo, ou na elogiada série Succession, pela qual recebeu um Emmy e um Globo de Ouro.

Ele também venceu o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante neste ano por A Verdadeira Dor e foi indicado na mesma categoria no SAG Awards, premiação do sindicato de atores dos Estados Unidos, verdadeira prévia do Oscar – nos últimos 20 anos, só em quatro oportunidades o vencedor do SAG de melhor ator coadjuvante não levou também o Oscar. Kieran tem sérios concorrentes em uma categoria que está muito forte este ano, com ótimas atuações como a sua.

Retornando a Eisenberg, ele conduz A Verdadeira Dor de forma segura, marcando uma evolução no seu trabalho como diretor, criando boas expectativas para a sequência de sua carreira do outro lado das câmeras. Cotação: Bom.

 

Trailer de A Verdadeira Dor:

 


 

Crédito da foto: 20th Century Studios Brasil