Essas produções não tiveram
grande repercussão, ao contrário de O Brutalista, seu terceiro filme, que
estreia nesta quinta-feira (20) nas salas brasileiras e que concorre a dez
Oscars na cerimônia da Academia de Hollywood, no próximo dia 2 de março: melhor filme,
diretor, ator (Adrien Brody), atriz coadjuvante (Felicity Jones), ator
coadjuvante (Guy Pearce), roteiro original, fotografia, edição, design de
produção e trilha sonora. A produção recebeu recentemente três prêmios Globos
de Ouro (melhor filme de drama, diretor e ator para Brody) e três prêmios Bafta
(melhor diretor, fotografia e trilha sonora)
O épico de 3h34min chega ao
público brasileiro em sessões programadas com 15 minutos de intervalo (cronometrados
na tela), algo que não era realizado há muito tempo na programação do país.
Para a audiência que não tem conhecimento do termo, vale salientar que o brutalismo
se refere ao movimento arquitetônico que teve início no pós-Segunda Guerra
Mundial, com estética ousada, caracterizada pelo uso de concreto bruto e
aparente.
O Brutalista traz como
personagem central o fictício arquiteto húngaro László Tóth (Brody, Oscar de
melhor ator por O Pianista), que chega aos Estados Unidos no ano de 1947,
fugindo da destruída Europa após o maior conflito armado do século 20. Judeu,
ele deixou no Velho Continente a esposa Erzsébet (Jones, de A Teoria de Tudo),
a quem não encontrou mais depois de serem enviados a campos de concentração
diferentes pelos nazistas.
László é recepcionado pelo
primo Attila (Alessandro Nivola, de O Quarto ao Lado), já instalado na América,
casado e com um próspero negócio de fabricação de móveis. O arquiteto passa a
trabalhar com o familiar e, em pouco tempo, ao realizar a reforma de uma biblioteca
de uma abastada família norte-americana, terá um encontro que mudará sua vida,
conhecendo o poderoso Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce, de Los Angeles –
Cidade Proibida). O magnata irá contratar o arquiteto para projetar e construir
um centro monumental em sua propriedade, uma pretensa homenagem a sua mãe, mas
na realidade a si mesmo.
Não será uma trajetória fácil
e, em quase duas décadas, László, além de Erzsébet e a sobrinha Zsófia (Raffey
Cassidy, de O Sacrifício do Cervo Sagrado), que também chegam aos Estados
Unidos, irão passar por muitas dificuldades em um lugar com pessoas que lhes
são hostis e não hesitam em demonstrar isso, ficando muito distante do tão
decantado “sonho americano”.
Cobert, também responsável
pelo roteiro ao lado de Mona Fastvold, não tem pressa em desenvolver sua
história, que envolve algumas discussões, como a da arte através da arquitetura
(e, também do cinema, na representação do próprio filme), as relações de poder
entre ricos e pobres, as agruras de imigrantes onde não são desejados (que pode
até trazer um paralelo com os Estados Unidos no momento).
Adrien Brody – um dos
favoritos ao Oscar de sua categoria, ao lado de Timothée Chalamet, de Um
Completo Desconhecido – domina a tela com uma atuação de destaque do trágico
László, aproveitando muito bem o personagem mais resolvido da trama, que vai
aos poucos revelando suas várias nuances, do artista e ao frio marido no
tratamento da esposa, passando pelo viciado em drogas também. Mas Erzsébet merecia
um desenvolvimento melhor, com mais tempo na produção.
O tom é mesmo de épico, com
longas e bonitas tomadas – principalmente na construção do monumento central e
as ideias ousadas do protagonista. Mas Cobert também se mostra pretensioso em
sua tentativa de grandiosidade do filme, tornando-o vazio em certos momentos, além
de trazer à história um momento chocante não necessário e nada sutil.
O Brutalista também passou
por momentos polêmicos nas últimas semanas, quando foi revelado o uso de
inteligência artificial para ajustar os sotaques húngaros falados por Adrien Brody
e Felicity Jones, para parecerem mais próximos do real, e também na realização
de alguns desenhos arquitetônicos para ajudar em uma sequência no final do
filme, essa justificada pelo baixo orçamento da produção. Resta conferir se isso
irá atrapalhar as pretensões da produção no Oscar. Cotação: Bom.
Trailer de O Brutalista:
Crédito da foto: Divulgação Universal Pictures Brasil

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