O premiado espetáculo Humanismo Selvagem, produzido pela companhia curitibana Bife Seco, retorna aos palcos neste fim de semana em Curitiba. As sessões acontecem no Guairinha, neste sexta-feira (20) e sábado (21), sempre às 20 horas, e no domingo (22), às 19 horas. Os ingressos estão à venda na bilheteria do Teatro Guaíra e pelo Disk Ingressos.
Com texto e direção de Dimis, a tragicomédia investiga as rachaduras de uma família decadente que construiu sua fortuna sobre uma herança de exploração. Durante a comemoração dos cem anos do patriarca, a chegada inesperada de uma antiga empregada faz emergir traumas, segredos e violências que estavam cuidadosamente escondidas sob a aparente harmonia.
Combinando humor ácido, tensão psicológica e crítica social, a peça transforma o ambiente doméstico em um campo de batalha, em que herança, racismo estrutural e poder entram em colisão direta. O resultado é uma obra provocadora, que dialoga com o público contemporâneo ao expor contradições profundas da sociedade brasileira.
Nesta nova temporada, Humanismo Selvagem conta com a participação especial de Luiz Bertazzo, que integra o elenco do filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, vencedor do Oscar na categoria melhor filme internacional. Com carreira iniciada em Curitiba, o ator retoma sua parceria com a Bife Seco em um reencontro artístico que atravessa diferentes fases da companhia. A colaboração teve início em 2010, com a peça Vivienne, e seguiu em montagens marcantes da companhia, como as montagens Ruim e Bifes_1, e o musical Terrível Incrível Aventura.
“O que acontece quando uma família rica é confrontada com o seu passado criminoso?”, indaga o diretor Dimis. O texto do espetáculo foi o grande vencedor do Prêmio Outras Palavras 2020, concedido pelo governo do Paraná e que garantiu a publicação da dramaturgia em livro, lançado nacionalmente na programação da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, em 2025, como parte da Coleção Outras Palavras.
O texto é resultado de um processo de escrita e amadurecimento iniciado em 2013. Ao longo de uma década, passou por sucessivas versões, acompanhando as transformações do debate público e aprofundando sua investigação sobre as estruturas de poder, racismo e violência que atravessam a sociedade brasileira. “As várias versões acompanharam a evolução das discussões sobre racismo no país. Agora, o texto chega à sua versão mais madura. É um terror psicológico que escala para o absurdo, o que resulta numa comédia caótica sobre o pior do ser humano. O público vai se identificar, mas nem sempre de forma confortável”, afirma Dimis.
Como em outros trabalhos da Bife Seco, o cinema foi uma referência central no processo criativo. A dramaturgia dialoga com o terror psicológico e a construção de famílias disfuncionais, temas recorrentes em produções do estúdio A24, utilizando esses códigos narrativos para tratar de uma temática profundamente brasileira: o legado criminoso de exploração sobre o qual muitas fortunas foram forjadas.
Depois de Curitiba, o espetáculo segue com apresentações pelas regiões Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. A circulação integra o projeto que celebra os 15 anos da Bife Seco e conta com o patrocínio oficial da Petrobras.
Serviço:
Humanismo Selvagem
Teatro Guairinha (Rua XV de Novembro, 971 – Centro)
De 20 a 22 de fevereiro; sexta-feira e sábado, sempre às 20h; domingo, às 19h.
Ingressos: a partir de R$ 25 + taxas, à venda na bilheteria do Teatro Guaíra e em www.diskingressos.com.br/grupo/2959/2026-02-22/pr/curitiba/humanismo-selvagem-uma-tragedia-karaiba
Duração: 120 minutos (com intervalo)
Classificação indicativa: 16 anos
Crédito da foto: Gabriel Rega

Redes Sociais