Nesta quinta-feira (19), o Museu Oscar Niemeyer (MON) realiza a abertura de dois eventos: das 18 às 21 horas, nas Salas 1 e 2, da mostra itinerante da 36ª Bienal de São Paulo, um recorte da exposição que reuniu mais de 784 mil visitantes na capital paulista; e, às 18 horas, no Olho e no Espaço Araucária, da exposição Technological Dances, da artista francesa Alice Anderson.
É a terceira vez que o MON forma parceria com a Fundação Bienal de São Paulo. Realizadas de forma programática desde 2011, as itinerâncias tornaram-se uma extensão fundamental da Bienal paulista, fazendo com que obras e debates apresentados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo se reconfigurem em diálogo com contextos locais diversos, ativando novas leituras e relações com públicos fora do eixo expositivo principal.
Em Curitiba, o recorte da itinerância tem curadoria de Anna Roberta Goetz, cocuradora da 36ª Bienal, junto ao cocurador André Pitol, e reúne obras de dezoito participantes: Adjani Okpu-Egbe, Alain Padeau, Ana Raylander Mártis dos Anjos, Emeka Ogboh, Ernest Cole, Forensic Architecture/Forensis, Gervane de Paula, Helena Uambembe, Julianknxx, Leiko Ikemura, Mao Ishikawa, Maria Auxiliadora, Ming Smith, Nádia Taquary, Olu Oguibe, Raukura Turei, Ruth Ige e Sertão Negro. O projeto expográfico é de Tiago Guimarães. A visitação segue até 7 de junho.
Para Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, retornar ao MON pela terceira vez é um passo importante para a Fundação. "Curitiba e o MON são aliados fundamentais no nosso compromisso com a descentralização do circuito artístico brasileiro. A cada edição da Bienal de São Paulo, temos buscado ampliar nosso alcance e fazer com que aquilo que foi apresentado no Pavilhão continue a reverberar em outras cidades do País”, afirma.
"A arte deve alcançar o maior número possível de pessoas, rompendo barreiras e sensibilizando todos os públicos. Por isso, recebemos a Bienal de São Paulo, uma das mais importantes exposições de arte do mundo, que sai de sua sede, extrapola limites geográficos e amplifica sua voz”, destaca Juliana Vosnika, diretora-presidente do MON. “Ao participar da itinerância desse importante evento, o MON reafirma sua missão de fazer a arte chegar a todos”, completa.
Além da circulação das obras, o programa de itinerâncias se estrutura a partir de um eixo educativo transversal, com formações voltadas às equipes locais, encontros on-line e presenciais, acompanhamento pedagógico e ações para diferentes públicos, como visitas mediadas, palestras, laboratórios para professores e atividades educativas para estudantes.
A programação de abertura prevê três atividades: nesta quarta-feira (18), às 19 horas, acontece uma roda de conversa com Anna Roberta Goetz, Juliana Kerexu e Mestre Kandierol; e na sexta-feira (20), às 11 horas, será oferecida uma visita mediada a partir do roteiro Arquiteturas da Destruição, que propõe um diálogo a partir dos trabalhos de Helena Uambembe, Emeka Ogboh, Forensic Architecture/Forensis e Gervane de Paula, estabelecendo conexões entre diferentes contextos geográficos e históricos de violência ambiental e estrutural. As atividades contam com interpretação em Libras.
Alice Anderson
Technological Dances, de Alice Anderson, reúne 75 obras, entre pinturas, esculturas e instalações, sendo algumas de grandes dimensões. A curadoria é de Marc Pottier. Segundo ele, a exposição é um registro de suas pinturas performativas. “Seus rituais instintivos e coreografados aspiram a uma reapropriação de nossa relação com um mundo governado pela gestão de dados", revela.
“Há mais de 20 anos, Anderson dialoga com seres não humanos”, lembra o curador. “Ela observa, cuida e dança com ferramentas antigas, máquinas modernas, circuitos eletrônicos, elementos arquitetônicos ou meteoritos – reconectando-se com a sua materialidade animada, como se quisesse reparar as nossas relações com o mundo mais do que humano”, destaca.
Segundo a artista, foi nesse contexto de interação entre corpo e matéria que nasceu o título da exposição, justapondo a rigidez da tecnologia à fluidez da dança. "Essas duas palavras realmente parecem contraditórias. No entanto, ambas evocam movimento. A tecnologia é como um movimento criado por sua constante evolução. Ela é projetada para interagir com o corpo e responder a ele, seja pressionando um teclado de computador ou imitando gestos humanos por meio da robótica”, afirma.
Ela nasceu na França e vive em Londres. É uma das poucas artistas que cria pinturas e esculturas durante performances, aplicando tinta líquida em objetos para libertá-los de sua função primária. Essas entidades, transformadas em Technological Dances (pinturas), tornam-se Awakened Objects (esculturas), registrando comunicações além do mundo visível. Elas testemunham outra possível inteligência na era da IA: aquela que habita a matéria.
Serviço:
Museu Oscar Niemeyer (Rua Mal. Hermes, 999 – Centro Cívico)
36ª Bienal de São Paulo – Nem Todo Viandante Anda Estradas – Da Humanidade como Prática – Itinerância Curitiba
Salas 1 e 2
Abertura dia 19 de março (quinta-feira), das 18h às 21h. Até 7 de junho.
Visitação: terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Exposição Technological Dances, de Alice Anderson
Olho e Espaço Araucária (3º andar Torre)
Abertura dia 19 de março (quinta-feira), às 18h.
Visitação: terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Conversa com Anna Roberta Goetz, Juliana Kerexu e Mestre Kandiero
Miniauditório
Dia 18 de março (quarta-feira), às 19h
Entrada mediante inscrição.
Capacidade: 50 lugares
Visita temática Arquiteturas da Destruição
Dia 20 março (sexta-feira), às 11h.
Crédito da foto: Natt Fejfar/Fundação Bienal de São Paulo

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