Nesta segunda-feira (28), o Restaurante Imperial completa 60 anos de história. Inaugurada em 1966, na Rua José Loureiro, no Centro de Curitiba, a casa acompanhou as transformações da região, atravessou mudanças de hábitos e de gerações e se consolidou como um endereço de memória, convivência e boa mesa, com destaque para o Filé à Parmegiana, o carro-chefe do cardápio, servido há muitas décadas.
Mais do que a longevidade de um negócio, o aniversário celebra os vÃnculos construÃdos ao redor das mesas. Há clientes que conheceram o restaurante com os pais ou avós e que agora retornam com os próprios filhos. No salão, diferentes gerações dividem o mesmo ambiente, preservando um clima familiar que se tornou uma das marcas da casa.
“O Imperial vive e respira o Centro de Curitiba. Sentimos que ele já não é simplesmente um comércio: faz parte da memória de muitas pessoas. Procuramos cuidar do restaurante como se fosse um patrimônio da cidade, porque entendemos que nossa responsabilidade vai além de sermos seus proprietários”, afirma Sérgio Chueh, um dos atuais donos do estabelecimento, ao lado da esposa LetÃcia.
O Imperial abriu as portas na Rua José Loureiro, 135, pelas mãos dos imigrantes Victoriano Touron Souto, espanhol conhecido como Vitor, e o português Manuel Rosa Henriques. Atualmente, o restaurante funciona no número 111 da mesma rua, mantendo viva sua ligação histórica com o Centro de Curitiba. O nome escolhido remetia a uma palavra então bastante utilizada comercialmente nos paÃses de origem dos fundadores e associada à tradição, à elegância e ao prestÃgio. O pequeno restaurante, com cerca de 50 metros quadrados, tinha poucas mesas, balcão e cozinha modestos.
Nos primeiros anos, o endereço funcionava como um pequeno boteco, frequentado sobretudo por homens depois do trabalho. O cardápio reunia petiscos de bar, receitas brasileiras e pratos de influência ibérica, como paella, bacalhau e risoto de polvo. A qualidade da cozinha espanhola, portuguesa e brasileira conquistou a clientela e, com o passar dos anos, o público cresceu. Vieram as famÃlias, os grupos de amigos e novas gerações de frequentadores.
Em 1997, após mais de três décadas à frente da casa, Victoriano decidiu se aposentar e vendeu o restaurante aos irmãos Sérgio e Marcos Chueh, filhos de um antigo cliente. Em 2014, Marcos deixou a sociedade e Sérgio, que é nutricionista, passou a responder integralmente pela gestão ao lado da mulher.
“Quando assumimos, o Imperial já tinha mais de 30 anos de tradição. Muitos clientes antigos ficaram receosos, com medo de que aquela história se perdesse. Aos poucos, mostramos que era possÃvel modernizar o que fosse necessário e, ao mesmo tempo, preservar a essência que havia trazido o restaurante até ali. Estamos à frente da casa há quase 30 anos, praticamente metade de sua história, e temos muito respeito por tudo o que recebemos e construÃmos”, conta Sérgio.
Nova casa
O ano de 2020 marcou uma das passagens mais difÃceis da trajetória do Imperial. Em meio à pandemia, o restaurante perdeu Ramiro Gil Sobrado, o “Espanhol”, garçom que trabalhou na casa por 45 anos e se tornou parte da história afetiva do endereço. No mesmo perÃodo, depois de 55 anos no imóvel original, foi preciso tomar a decisão de mudar o restaurante de lugar.
A transferência ocorreu para o segundo e atual endereço do restaurante, no número 111 da mesma Rua José Loureiro, a poucos metros do imóvel de fundação. O espaço abrigou a antiga redação do Diário do Paraná, um dos jornais que marcaram a história da imprensa no estado. Maior e mais confortável, a sede atual permitiu que o Imperial se adaptasse ao novo perfil de público sem romper sua ligação com o Centro. As paredes exibem fotografias históricas de Curitiba e imagens de garçons veteranos, entre eles Ramiro e Pedro dos Santos, o “Periga”, outro colaborador que dedicou 45 anos à casa.
A equipe continua sendo parte fundamental dessa continuidade. Entre os profissionais em atividade, o mais antigo é o garçom Edson Luiz Garret, que trabalha no Imperial desde 2007. A memória dos funcionários aposentados e daqueles que já faleceram também permanece presente no cotidiano do restaurante.
Receitas
A história do Imperial também pode ser contada pelo cardápio. As paellas Marinera e Valenciana estão entre as receitas mais antigas e mantêm viva a influência espanhola das origens, atualmente são servidas sob encomenda. Ao lado delas permanecem pratos como tutu de feijão, dobradinha, feijoada, lÃngua com purê e ervilhas, costela assada, churrasco de igreja e diferentes preparos com filé mignon.
A principal estrela da casa, entretanto, é o Filé à Parmegiana, receita que se tornou um dos maiores sÃmbolos do Imperial e um dos principais motivos que levam novos clientes ao restaurante. Servido há décadas, o prato recebeu atenção crescente ao longo dos anos, com aprimoramentos no molho, nos queijos e na seleção dos ingredientes, sempre com filé mignon. A maciez é apresentada diante do cliente: o garçom corta a carne com uma colher à mesa. Em sábados de grande movimento, cerca de 300 parmegianas podem ser servidas somente no almoço. Mais de uma tonelada de filé mignon é consumido mensalmente.
Entre as receitas com origem familiar está o Mignon à Imperial, criado por Farid Chueh, pai de Sérgio e Marcos. Preparado inicialmente nos almoços de domingo da famÃlia, o prato chegou ao menu do restaurante e ganhou significado especial. O filé é grelhado na manteiga e servido com aspargos, cogumelos, palmito, brócolis, arroz branco e batatas rústicas.
O cardápio reúne ainda dezenas de pratos que fazem sucesso entre o público, como alcatraa Orelha de Elefante, o Ancho ao Alho e Óleo, a costela assada das sextas-feiras e o Filé Mignon ao Queijo Azul, grelhado e servido com molho de queijo azul, arroz e batatas fritas à portuguesa. À noite, a casa retomou a tradição dos petiscos de boteco, com bolinhos de siri e carne, cascudinho à milanesa, pão com bolinho e pão com costela, além de pratos principais.
“Chegar aos 60 anos em uma cidade que viu tantos restaurantes tradicionais fecharem ou se transformarem significa muito. Traz, principalmente, gratidão. É resultado do trabalho diário, da união da equipe e do carinho dos clientes que continuam escolhendo o Imperial. O básico precisa ser cuidado todos os dias: comida bem feita, bons ingredientes, atendimento cordial e um ambiente onde as pessoas se sintam bem. E é preciso entregar aquilo que se promete”, conclui Sérgio.
Serviço:
Restaurante Imperial
Rua José Loureiro, 111, sobreloja – Centro – Curitiba
Funcionamento: almoço – segunda-feira a sábado, das 11h à s 16h30 (cozinha até à s 15h30); jantar – terça a sexta-feira, das 18h à s 23h (cozinha até à s 22h30)
Reservas: (41) 3222-1323
Crédito da foto: Divulgação

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