Para 2027, o escolhido para
manter esse histórico de sucesso e tentar uma vaga entre os finalistas de
melhor filme internacional foi Feito Pipa, de Allan Deberton (Pacarrete), que
estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas do país.
Assim como seus antecessores,
a produção cearense também chega chancelada por um evento internacional, com o
Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri da mostra Generation KPlus do
Festival de Berlim 2026, além de quatro troféus Kikito do Festival de Gramado
deste ano – melhor direção, melhor atriz para Teca Pereira, melhor ator
coadjuvante para Lázaro Ramos e melhor filme pelo júri popular, além de menção
honrosa para Yuri Gomes, protagonista da produção.
O jovem ator interpreta Gugu,
menino de 12 anos que vive no interior do Ceará com a avó Dilma (Teca Pereira).
Livre e desenvolto, ele curte ver e jogar futebol assim como se maquiar e
dançar. Seu jeito de ser o leva a formar muitas amizades com as meninas do
colégio e também a ter atritos com alguns meninos que não gostam de sua postura,
seja na escola ou no futebol.
Pelo mesmo motivo, seu pai
Batista (Ramos) também não consegue se relacionar direito com ele, mantendo-se
quase sempre distante e mais próximo à outra família que formou com uma nova
esposa e uma filha com a idade próxima de Gugu. A falta de sintonia e compreensão
do pai com o filho é uma temática próxima da apresentada em Mutum (2007), ótimo
filme de Sandra Kogut, mas a produção de Deberton é muito mais direta do que o
trabalho da diretora, que investe nos sentimentos nas entrelinhas, no não dito.
A vida feliz de garoto começa
a ficar ameaçada após Dilma apresentar episódios de Alzheimer. Dudu tentará
esconder a situação da avó para não ter que morar com o pai.
O texto semiautobiográfico do
roteirista André Araújo fala de liberdade, amizades, afetos e luta contra
preconceitos. A história é centrada nos principais relacionamentos de Gugu, o
amoroso com Dilma e o de conflito com Batista. O filme se torna mais solar e
interessante nas interações do menino com a avó, mesmo nos momentos mais
difíceis da velha senhora – a sequência final emociona –, mas perde um pouco em
desenvolvimento nas relações entre pai e filho e também com as amigas e amigos
da escola.
Dessa forma, o grande
destaque da produção é o trabalho de plena sintonia entre Yuri, uma grata
revelação, e Teca, que tem uma atuação sublime em diversos momentos, digna de
muitas premiações. Lázaro tem também uma boa e generosa participação, pois em
nenhum momento busca roubar a produção para si, como às vezes acontece com
grandes atores.
A expectativa fica agora com
a trajetória de Feito Pipa na busca pela indicação ao Oscar. A divulgação
internacional já foi iniciada e a lista com os 15 pré-indicados na categoria
para 2027 será anunciada no dia 15 de dezembro. Emplacar uma terceira nomeação consecutiva
será um feito inédito para o cinema sul-americano. Cotação: Bom.
Trailer de Feito Pipa:
Crédito da foto: Jamille Queiroz
