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Feito Pipa busca nova indicação para o Brasil no Oscar – FILMES, por Rudney Flores

 


 O Brasil marcou presença por dois anos consecutivos na maior festa do cinema mundial com produções que fizeram história – em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, foi a primeira produção nacional a vencer o Oscar de melhor filme internacional, com indicações também a melhor atriz para Fernanda Torres e melhor filme; e em 2026, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, emplacou quatro indicações: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator para Wagner Moura e melhor elenco.

Para 2027, o escolhido para manter esse histórico de sucesso e tentar uma vaga entre os finalistas de melhor filme internacional foi Feito Pipa, de Allan Deberton (Pacarrete), que estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas do país.

Assim como seus antecessores, a produção cearense também chega chancelada por um evento internacional, com o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri da mostra Generation KPlus do Festival de Berlim 2026, além de quatro troféus Kikito do Festival de Gramado deste ano – melhor direção, melhor atriz para Teca Pereira, melhor ator coadjuvante para Lázaro Ramos e melhor filme pelo júri popular, além de menção honrosa para Yuri Gomes, protagonista da produção.

O jovem ator interpreta Gugu, menino de 12 anos que vive no interior do Ceará com a avó Dilma (Teca Pereira). Livre e desenvolto, ele curte ver e jogar futebol assim como se maquiar e dançar. Seu jeito de ser o leva a formar muitas amizades com as meninas do colégio e também a ter atritos com alguns meninos que não gostam de sua postura, seja na escola ou no futebol.

Pelo mesmo motivo, seu pai Batista (Ramos) também não consegue se relacionar direito com ele, mantendo-se quase sempre distante e mais próximo à outra família que formou com uma nova esposa e uma filha com a idade próxima de Gugu. A falta de sintonia e compreensão do pai com o filho é uma temática próxima da apresentada em Mutum (2007), ótimo filme de Sandra Kogut, mas a produção de Deberton é muito mais direta do que o trabalho da diretora, que investe nos sentimentos nas entrelinhas, no não dito.

A vida feliz de garoto começa a ficar ameaçada após Dilma apresentar episódios de Alzheimer. Dudu tentará esconder a situação da avó para não ter que morar com o pai.

O texto semiautobiográfico do roteirista André Araújo fala de liberdade, amizades, afetos e luta contra preconceitos. A história é centrada nos principais relacionamentos de Gugu, o amoroso com Dilma e o de conflito com Batista. O filme se torna mais solar e interessante nas interações do menino com a avó, mesmo nos momentos mais difíceis da velha senhora – a sequência final emociona –, mas perde um pouco em desenvolvimento nas relações entre pai e filho e também com as amigas e amigos da escola.

Dessa forma, o grande destaque da produção é o trabalho de plena sintonia entre Yuri, uma grata revelação, e Teca, que tem uma atuação sublime em diversos momentos, digna de muitas premiações. Lázaro tem também uma boa e generosa participação, pois em nenhum momento busca roubar a produção para si, como às vezes acontece com grandes atores.

A expectativa fica agora com a trajetória de Feito Pipa na busca pela indicação ao Oscar. A divulgação internacional já foi iniciada e a lista com os 15 pré-indicados na categoria para 2027 será anunciada no dia 15 de dezembro. Emplacar uma terceira nomeação consecutiva será um feito inédito para o cinema sul-americano. Cotação: Bom.

 

Trailer de Feito Pipa:

 


 

Crédito da foto: Jamille Queiroz


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