Michael deixa de lado polêmicas e foca apenas na música do Rei do Pop – FILMES por Rudney Flores

 


Um dos maiores nomes da música mundial em todos tempos, Michael Jackson é tema da cinebiografia Michael, que estreia nesta quinta-feira (23) nos cinemas brasileiros. Dirigida por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, franquia O Protetor), a produção é estrelada por Jaafar Jackson, sobrinho do chamado Rei do Pop no papel do tio, e também por Colman Domingo, indicado ao Oscar de melhor ator por Rustin e Sing Sing, que vive Joseph, o patriarca dos Jacksons.

Assim como a atribulada vida de MJ, o filme passou por diversos percalços até finalmente chegar ao público. O principal ponto foi a questão das acusações de abuso sexual contra o astro durante os anos 1990, que seriam retratadas e tiveram que ser retiradas por obrigações judiciais, fazendo com que os roteiristas tivessem que reescrever todo o terceiro ato da história. No fim, a produção acabou ficando muito longa, passando das três horas e meia de duração, e foi dividida em duas partes – a segunda já foi confirmada pelos produtores, mas ainda sem data de lançamento confirmada.

A parte inicial segue as regras de uma cinebiografia tradicional – e nesse sentido lembra muito Bohemian Rhapsody, sobre Freddie Mercury, líder e vocalista do Queen; os dois filmes têm o produtor em comum: Graham King. Por ser ter na produção executiva familiares e pessoas que participaram da carreira de Michael Jackson, o foco são as canções e o enaltecimento do astro como um dos maiores artistas da história, além de seus atos de caridade. Ou seja, Michael é feito pensando principalmente nos fãs da obra do artista.

Em uma sequência cronológica, vão sendo apresentados segmentos da vida de Michael, como seu começo como prodígio aos 8 anos, liderando artisticamente os irmãos no Jackson 5, a chegada do grupo à gravadora Motown, a carreira-solo a partir dos lançamentos dos clássicos álbuns Off the Wall (1979) e Thriller (1982), a criação de videoclipes icônicos como “Beat It” e “Thriller”, a primeira apresentação do passo de dança moonwalk, finalizando com a turnê do também importante disco Bad (1987). Há algumas omissões importantes, como o fato de a carreira-solo de MJ ter começado mais cedo – o grande sucesso Ben (1972) é solenemente ignorado –, mas são pequenas falhas, menores do que acontece em Bohemian Rhapsody, por exemplo, que embaralha datas e troca muitos fatos na trajetória do Queen.

Dramaturgicamente, Joseph Jackson é retratado como um vilão de novela, o Capitão Gancho do clássico Peter Pan – o pequeno Michael (Juliano Valdi) escreve o nome do pai embaixo da figura do personagem no livro que o acompanha por boa parte da vida, com o roteiro reforçando muitas vezes a ligação do artista com a obra criada por J. M. Barrie. O patriaca inferniza a vida dos filhos, é violento, controla suas carreiras com mão de ferro, mas o bullying feito pelos irmãos com MJ não está presente, já que alguns deles são produtores do filme.

Mas os grandes problemas e inseguranças de Michael Jackson ficam restritos quase às entrelinhas, cabendo ao espectador intuir a maior parte de seu sofrimento e a formação de uma personalidade infantil, que resultará no futuro em um homem “excêntrico”, para dizer o mínimo, com sua preferência pela amizade com animais (desde pequeno) e crianças (já adulto).

Dessa forma, os maiores destaques de Michael são as recriações dos grandes momentos musicais da trajetória do artista – uma obra formada por canções sensacionais, que certamente vão emocionar fãs mais antigos, que viveram toda a época de sucessos –, além das atuações dos protagonistas. Michael Jackson ganha ótimas atuações, tanto de Juliano como de Jaafar, principalmente do sobrinho (filho de Jermaine Jackson), que emula a voz e os trejeitos do cantor. E Colman Domingo se esmera na vilania de Joseph Jackson, tornando-o uma figura realmente assustadora.

Entre acertos e erros, sobressai-se mesmo a grande arte de Michael Jackson. Mas em tempos de cancelamentos e julgamentos, cabe a cada espectador a forma de como vai encarar e apreciar o registro da vida de um artista tão controverso. Cotação: Bom.

 

Trailer de Michael:

 


 

 

Crédito da foto: Universal Pictures Brasil