Companhia brasileira de teatro estreia o espetáculo História no Guairinha

 


A importância da relação entre memória coletiva e memória íntima na construção de uma trajetória histórica de um país chamado Brasil é um dos pontos de partida para a pesquisa e criação da peça História, que estreia neste sábado (6),  às 20 horas, no Guairinha. A temporada segue até 14 de junho, com sessões sempre às 20 horas, de quarta-feira a sábado, e às 16 e 20 horas, aos domingos. Os ingressos estão à venda na bilheteria do Teatro Guaíra e pelo DiskIngressos.

Com texto e direção de Marcio Abreu, e criação e produção da companhia brasileira de teatro, o espetáculo criado coletivamente em salas de ensaios, tem em cena a atriz Carolina Virgüez, o ator Rafael Bacelar e o músico Felipe Storino. História está inserida em um projeto mais amplo, de manutenção da companhia brasileira de teatro, um dos mais importantes e reconhecidos coletivos das artes cênicas do país, que se estrutura em três eixos principais de atividades, realizadas ao longo do período de um ano (agosto/2025-julho/2026).

A ideia do espetáculo surgiu de uma consciência que foi se formando de um trabalho a outro da companhia, no curso de uma pesquisa em longo prazo que tem erupções em diversas obras de Marcio Abreu. Desde Projeto Brasil, peça de 2014 criada a partir de estudos sobre discursos públicos e de olhares diversos para a história do país e seus dilemas, passando por Preto, de 2017, obra emblemática e que se inscreve na curva histórica, antecipando discussões que logo ganhariam mais amplitude na sociedade sobre imagem social, coexistência de diferenças, a síncope como linguagem e a melhor ancestralidade brasileira advinda das raízes africanas. Culminando em Sem Palavras, peça de 2021, que materializa em sua dramaturgia as narrativas que costumeiramente não tem lugar na história e que se torna corpo-livro.

Já em Ao Vivo (Dentro da Cabeça de Alguém), de 2024, e Sonho Elétrico, de 2025, a companhia apresenta peças que se voltam mais radicalmente para a investigação das relações possíveis entre memória íntima e memória coletiva. Nas duas peças, de diferentes maneiras, há o exercício de pensar os territórios dos sonhos, dos imaginários e das memórias como dimensões da vida e as suas capacidades perceptivas e de ação no mundo. Nelas, o público é convidado a entrar na cabeça de uma artista, uma personagem ficcional, acessar aos recônditos de sua memória, e percorrer um percurso quase fotográfico na história de uma geração e de um Brasil, percebido através de múltiplas vozes e corpos, ampliando a perspectiva do ser na dimensão do sonho manifesto como ação no mundo, agora.

“Escrevi e encenei essas peças, igualmente imantado pela presença de cada artista que ocupa a cena. Cada corpo que está ali presente é em si e antes de tudo um conjunto de narrativas. Cada corpo é escrito. É história. E a questão mais importante que se impõe como desafio de linguagem é como fazer reverberar essas presenças, mesmo em construções ficcionais. A ficção me parece, nessa pesquisa e no tempo histórico que vivemos, um fundamental elemento para tornar memória e história perceptíveis no acontecimento artístico”, afirma Abreu.

História segue essa pesquisa e reafirma a qualidade mutável da história, a ciência que investiga e analisa as ações, transformações e permanências nas sociedades humanas ao longo do tempo, criando uma obra no teatro hoje, que contemple múltiplas narrativas escritas e orais, arquivos, objetos e imagens que se compõem e recompõem, as paisagens individuais e coletivas da vida e da memória. A peça também busca compreender o presente, utilizando fontes como relatos, fotos, histórias, memórias, canções, vestígios, lacunas para reconstruir e repensar as experiências.

Também uma insurgência, uma ressignificação de sentidos e um ato de partilha, já que busca iluminar e atuar no campo de disputas urgentes de narrativas que ficaram e ficam sistematicamente de fora da chamada “história oficial”. "A peça é especialmente atravessada pela encruzilhada do tempo atual, e chama para a urgência de ocupar a história no calor do momento, uma ação de construção no presente, de criar memória no presente, curvando-se para o passado e para o futuro em um só giro espiral, como define poética e filosoficamente a nossa mestra maior Leda Maria Martins. A esse chamado, nós artistas precisamos atender. Se não fizermos a história, seremos feitos por ela. É esta a divisa. Não há outra", afirma o diretor.

História é apresentada pela Petrobras e pelo Ministério da Cultura/Governo do Brasil por meio da Lei Rouanet.


Serviço: 

História

Guairinha (XV de Novembro, 971 – Centro)

De 6 a 14 de junho; quarta-feira a sábado, sempre às 20h; domingo, às 16h e 20h.

Ingressos: a partir de R$ 30 + taxas, à venda na bilheteria do Teatro Guaíra e em www.diskingressos.com.br/grupo/3215/2026-06-10/pr/curitiba/historia

Classificação indicativa: 18 anos


Crédito da foto: Ethel Braga