A inteligência artificial já produz imagens, interpreta comportamentos e interfere em decisões cotidianas. Ao mesmo tempo, a emergência climática obriga a repensar a relação entre desenvolvimento tecnológico e preservação ambiental. Esses dois movimentos se encontram pela perspectiva da arte contemporânea em exposições na Sala 7 do Museu Oscar Niemeyer (MON), dentro da programação da 16ª Bienal Internacional de Curitiba, que segue até 15 de novembro.
Nas mostras Algoritmos do Humano: Imagem e Novas Presenças e Tecnologias da Natureza: Arte, Ciência e Futuros Sustentáveis, o espaço transforma o conceito curatorial Limiares da bienal em uma experiência concreta, aproximando inteligência artificial, ancestralidade, ciência, ecologia e novas formas de imaginar o futuro. "Limiares propõe habitar as zonas de transição, onde fronteiras entre humano e máquina, natureza e tecnologia deixam de ser fixas para abrir espaço a novas formas de convivência", afirmam as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda.
Reunindo artistas brasileiros e internacionais, a Sala 7 demonstra como essas transformações impactam diferentes culturas, mas convergem em inquietações comuns: quem produz as imagens que consumimos? Como preservar a biodiversidade em uma era de automatização? O que permanece humano quando máquinas passam a criar, interpretar e decidir?
Em Algoritmos do Humano, fotografia, vídeo, pintura, escultura e inteligência artificial ampliam as possibilidades da imagem contemporânea. Fernando Aidar utiliza conceitos da microbiologia e sua ancestralidade em uma escultura em cerâmica que tensiona natureza e tecnologia; Carlos Amorales transforma a máscara em metáfora dos algoritmos que moldam relações sociais; Panmela Castro cria pinturas inspiradas nos sonhos narrados por uma inteligência artificial; Mayara Ferrão utiliza IA para reconstruir histórias de afeto apagadas pelo colonialismo; Tom Lisboa investiga as subjetividades produzidas por chatbots; Jaqueline Duhr revela os vieses dos sistemas biométricos; Alessandra Bergero revisita seu próprio arquivo fotográfico com ferramentas de inteligência artificial; enquanto Joseca Yanomami apresenta narrativas visuais que preservam cosmologias indígenas resistentes às interferências tecnológicas.
Se a primeira mostra investiga as tecnologias produzidas pelos seres humanos, a segunda inverte a perspectiva. Tecnologias da Natureza parte da ideia de que os próprios ecossistemas carregam formas sofisticadas de inteligência e organização.
Obras de Giselle Beiguelman, Armarinhos Teixeira, Jack Holmer, Sunjeong Hwang e Kira Xonorika reuniem pesquisa científica, robótica, inteligência artificial, visualização de dados e conhecimentos ancestrais para refletir sobre biodiversidade, preservação ambiental e coexistência. Em vez de opor natureza e tecnologia, os artistas demonstram como ambas podem atuar como formas complementares de compreender o mundo.
O resultado é uma sala em permanente estado de diálogo. Algoritmos convivem com cosmologias indígenas; esculturas em cerâmica encontram sistemas digitais; plantas invasoras dialogam com inteligência artificial; organismos microbiológicos dividem espaço com imagens produzidas por máquinas.
Serviço:
Exposições Algoritmos do Humano: Imagem e Novas Presenças e Tecnologias da Natureza: Arte, Ciência e Futuros Sustentáveis na 16ª Bienal Internacional de Curitiba – Limiares
Museu Oscar Niemeyer – Sala 7 (Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico)
Ate 15 de novembro.
Visitação: terça-feira a domingo, das 10h às 17h30
Ingressos: R$ 36 (inteira) e R$ 18 (meia-entrada); gratuito às quartas-feiras e todos os últimos domingos de cada mês
Crédito da foto: Divulgação 16ª Bienal Internacional de Curitiba

Redes Sociais