Peça Alta Performance retorna ao palco do Teatro Novelas Curitibanas

 


A peça Alta Performance retorna ao cartaz nesta quinta-feira (16), às 20 horas, no Teatro Novelas Curitibanas. As apresentações seguem até 26 de julho, de quinta-feira a sábado, sempre às 20 horas, e aos domingo, às 19 horas. A entrada é gratuita, com ingressos distribuídos uma hora antes da sessões, sujeito à lotação do espaço. 

O monólogo, criado e interpretado pela atriz Samara Rocha, da companhia Les Paranauês, é uma autoficção tragicômica que explora temas como Síndrome de Burnout, Altas Habilidades, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e a cultura da positividade tóxica. Ao final de cada apresentação, haverá conversa com o público. 

O título da obra vem da experiência que a atriz viveu quando foi demitida de uma grande empresa porque, segundo os seus superiores, não representava mais uma funcionária de “alta performance”. O que ela tinha, na verdade, era cansaço extremo. Síndrome de Burnout, enfim. O projeto bebe nas fontes da palhaçaria, arte que Samara estuda há anos, e do livro A Sociedade do Cansaço, do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han.

“Vivemos em uma época que nos cobra produtividade o tempo todo, até no descanso. Alta Performance resiste a essa lógica ao criar um espaço de escuta, vulnerabilidade e encontro”, destaca Samara. “Em vez de buscar uma versão impecável de mim mesma, escolho compartilhar as contradições e fragilidades de quem tenta sobreviver a um mundo hiperconectado e acelerado. É um convite para desacelerar, olhar nos olhos e lembrar que somos pessoas antes de sermos resultados”, complementa. 

A artista conta que revisitar a personagem depois de quase dois anos da estreia da peça é como reencontrar uma versão antiga de si. Afinal, a Samara atriz dialoga profundamente com a Samara da autoficção. “A personagem ainda procura respostas; eu já encontrei algumas. Essa distância trouxe mais serenidade para a cena e permitiu transformar uma experiência muito pessoal em um diálogo mais generoso com o público”, contextualiza. 

Na nova temporada, o espetáculo foi revisado e aprofundado. A cena sobre o diagnóstico, antes atravessada pelo impacto da descoberta, hoje fala mais sobre acolhimento e compreensão de si. Ao mesmo tempo, as transformações trazidas pela inteligência artificial e pelas novas tecnologias deram outra dimensão às reflexões da montagem sobre desempenho, identidade e a relação com o mundo digital.


Bate-papo

“Espero que as pessoas saiam do teatro sentindo que não estão sozinhas. Depois de cada apresentação, teremos um bate-papo, porque esse encontro também faz parte da obra”, informa a atriz. “Se alguém sair com mais gentileza consigo mesmo e com os outros, entendendo que a alta performance nem sempre é uma conquista, mas, muitas vezes, uma armadilha, o espetáculo terá cumprido o seu papel”, acrescenta. 

Na temporada de 2024, houve inúmeras conversas marcantes depois das apresentações. “Muitas pessoas compartilharam histórias de Burnout, ansiedade e recomeços, mostrando que a peça havia deixado de ser apenas uma experiência minha para se tornar um espaço de identificação coletiva”, afirma Samara. 

Na visão do diretor Laércio Amaral, a montagem tem o potencial de sensibilizar a plateia. “A ideia é proporcionar ao público uma experiência que possa tocar o humano sensível que existe em nós, por meio desta arte milenar, tão antiga na vivência da humanidade, que é o teatro”, conclui.


Serviço:

Alta Performance

Teatro Novelas Curitibanas – Claudete Pereira Jorge (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.222 – São Francisco)

De 16 a 26 de julho; quinta-feira a sábado, sempre às 20h; domingo, às 19h; dia 19, sessão com intérprete em Libras.

Classificação indicativa: 14 anos

Entrada gratuita, com ingressos distribuídos uma hora antes das apresentações (sujeito à lotação).


Crédito da foto: Thayna Bressan