Montanha-russa de sentimentos marca Anora – FILMES, por Rudney Flores

 


 Grande vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2024 e favorito a várias indicações ao Oscar deste ano, Anora chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (23). O novo filme do diretor Sean Baker (Projeto Flórida, Tangerine) combina romance, comédia e drama em uma montanha-russa de sentimentos em três atos.

O centro de tudo está a garota de programa Anora (Mickey Madison, de Pânico 5 e Era Uma Vez... em Hollywood), que prefere ser chamada de Ani. Em uma noite de trabalho como dançarina em uma boate nova-iorquina, seu emprego principal, ela é indicada para a se juntar a alguns russos endinheirados em busca de diversão. Com ascendência russa, ela é única do local a falar a língua dos clientes.

A moça ganha a atenção do jovem Ivan (Mark Eydelshteyn) e dias depois aceita atendê-lo em sua mansão. A relação esquenta com o rapaz inconsequente e fútil, um filho mimado de um oligarca russo, que passa os dias a jogar videogames e a ir a baladas com os amigos. Ao estilo Uma Linda Mulher, ele resolve pagar para uma boa grana para que Ani fique exclusivamente com ele durante um tempo.

A trupe do rapaz decide viajar para Las Vegas e o que era apenas um namoro pago transforma-se em um casamento dos sonhos para Anora, que pensa ter achado seu bilhete premiado. Mas os "cuidadores" e os pais do marido não concordam em nada com essa ideia e é aí que as confusões começam a aparecer na trama.

O destaque de Anora é a atuação solar de Mikey Madison, que atrai, desde o início, a atenção e o carinho do espectador. A personagem criada pelo diretor, também roteirista da produção, é uma mistura de ingenuidade, sensualidade, esperteza, intensidade, fúria e fragilidade, nuances bem trabalhadas pela atriz, que tem a chance de mostrar todo o seu carisma em seu primeiro grande trabalho como protagonista. O restante do elenco, todos rostos praticamente desconhecidos, também tem boa contribuição, com foco no trio de capangas responsável por algumas cenas hilárias do filme.

Dos três, que tem papel mais relevante é Igor (o russo Yura Borisov), principalmente no último arco do filme, no qual Baker mostra suas reais intenções. Muito além da mistura de contos de fada e comédia apresentada até a metade do filme, o cineasta passa a falar sobre poder e diferenças sociais, e da impossibilidade de mundos muito diferentes se unirem, mesmo que a maioria das chamadas rom-coms (as comédias românticas) tentem dizem quase sempre o contrário. Apesar de lutar muito, Ani vai aos poucos caindo na realidade das coisas, até chegar na bela cena final, que descarrega todo o drama da história.

É esse desfecho que talvez tenha conquistado o júri de Cannes, pois, à primeira vista, Anora não é daquelas obras impactantes que geralmente são vencedoras dos grandes festivais internacionais. Mas é nesse momento que Baker mostra novamente a sensibilidade presente no belo Projeto Flórida, fazendo Anora valer realmente a pena. 

Nesta quinta-feira, Anora foi indicado a seis Oscars: melhor filme, diretor, atriz (Mikey Madison), ator coadjuvante (Yuri Borisov), roteiro original e edição. Cotação: Ótimo.

 

Trailer de Anora:

 


 

Crédito da Foto: Divulgação Universal Pictures Brasil