O espetáculo Manual de Como Não Esquecer Meu Nome chega ao miniauditório do Teatro Guaíra para uma temporada independente, entre os dias 28 de maio e 7 de junho. As sessões acontecem quinta e sexta-feira, sempre às 20 horas, sábado, às 18 e 20 horas, e domingo, às 16 e 18 horas. Os ingressos estão à venda na bilheteria do Teatro Guaíra e pelo DiskIngressos.
Criada pela atriz Amanda Curedes, ao lado da diretora Laís Cristina, a montagem parte de uma experiência pessoal para construir uma narrativa sobre memória, cuidado e identidade. “A peça nasce da minha relação com a minha avó e da tentativa de entender o que permanece quando quase tudo se perde”, comenta Amanda.
Inspirado na história real de Eunice, avó da atriz, o espetáculo acompanha o avanço do Alzheimer e a perda gradual das memórias, até o ponto em que quase tudo desaparece, menos o nome do marido. Em cena, Amanda conduz esse percurso a partir da perspectiva da neta, revisitando a trajetória da avó e reconstruindo fragmentos de uma vida atravessada pelo cuidado, pelo trabalho e pela família.
Um dos eixos centrais do espetáculo é a construção bilíngue em português e em Libras. Pensado desde o início para incluir o público surdo, o trabalho vai além da tradução simultânea: toda a dramaturgia é sinalizada em cena, integrando as duas línguas como parte da estrutura narrativa. A presença da Libras atravessa ritmo, composição e atuação, criando uma experiência que amplia as possibilidades de comunicação e percepção no teatro.
A consultoria na linguagem é realizada por Gabriela Grigolom (Negabi), artista surda, em colaboração com o intérprete Nathan Sales, garantindo que a Libras esteja presente como língua de criação e não apenas como recurso de acessibilidade. O espetáculo também se relaciona com as investigações do CPTB (Coletivo de Pesquisa em Teatro Bilíngue), que acompanha o projeto como espaço de experimentação artística. “O processo de criação foi também um processo de aproximação com a Libras. A dramaturgia foi sendo construída junto com essa língua, entendendo como o corpo, o tempo e o espaço se organizam a partir dela”, comenta a atriz.
Memória
Ao reconstruir a trajetória de Eunice, a peça lança um olhar sobre a vida de mulheres que dedicaram grande parte de suas histórias ao cuidado de outros, como mães, avós, esposas e trabalhadoras, e que, muitas vezes, tiveram suas próprias identidades diluídas por esses papéis.
Sem tratar o Alzheimer apenas como tema clínico, a monatagem se aproxima das experiências cotidianas de quem convive com a doença, abordando suas dimensões afetivas, familiares e sociais. “Apesar de partir de uma história pessoal, é um trabalho que encontra identificação em muitas pessoas, principalmente em quem já viveu de perto o Alzheimer na família”, afirma Laís.
A temporada marca a continuidade de uma pesquisa artística que se desdobra agora em formato independente, reunindo artistas em torno de um processo colaborativo. Voltada para todos os públicos, a peça dialoga especialmente com mulheres, idosos, familiares de pessoas com Alzheimer e a comunidade surda.
Serviço:
Manual de Como Não Esquecer Meu Nome
Mini Guaíra (Rua Amintas de Barros, 70 – Centro)
De 28 a 31 de maio e de 4 a 7 de junho; quinta e sexta-feira, sempre às 20h; sábado às 18h e 20h; domingo, às 16h e 18h. Sessões com intérprete de Libras.
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada) + taxas, à venda na bilhereria do Teatro Guaíra e em www.diskingressos.com.br/grupo/2956/2026-06-07/pr/curitiba/manual-de-como-nao-esquecer-meu-nome
Classificação: livre
Crédito da foto: Luiza Helena

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